Representantes da Cúpula dos Povos manifestaram preocupação com a falta de espaço dedicado à sociedade civil na Cúpula dos Líderes da COP 30, realizada em Belém. Eles defendem que as soluções para a crise climática, incluindo a transição energética, devem ser construídas em conjunto com os povos e seus territórios, priorizando um processo de escuta atenta.
Durante uma coletiva de imprensa, membros da comissão política da Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 enfatizaram que a crise climática não é um fenômeno isolado, mas sim o resultado de decisões tomadas pelos países do Norte Global. A organização do evento relatou que muitos representantes da sociedade civil não tiveram a oportunidade de apresentar suas demandas durante a Cúpula dos Líderes. Adicionalmente, o acesso a espaços de discussão cruciais, como as “Discussões Temáticas”, teria sido negado à sociedade civil.
Isabel Cristina, militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), ressaltou a necessidade de os chefes de Estado ouvirem as comunidades sobre os impactos da crise climática. “As soluções apresentadas para a transição energética não incluem os povos e são impostas de cima para baixo”, afirmou.
Os integrantes da Cúpula dos Povos argumentam que o colapso climático já se manifesta de forma drástica, citando o furacão Melissa, que atingiu a Jamaica, como um exemplo contundente. Eles destacam que esses países, já sobrecarregados por desafios como o subdesenvolvimento colonial, carecem de financiamento e infraestrutura adequados para enfrentar tais eventos extremos.
A Cúpula dos Povos defende que a resposta à emergência climática deve priorizar a vida em vez do lucro, colocando essa premissa no centro do debate. A comissão política do evento enfatiza: “Estamos unidos por uma simples exigência: que aqueles que causam esta crise sejam responsabilizados”.
A Cúpula dos Povos está programada para ocorrer na UFPA, entre os dias 12 e 16 de novembro, reunindo mais de 1.100 movimentos sociais de 62 países em torno da temática da Justiça Climática.
O evento se organiza com base em uma agenda que busca integrar as lutas socioambientais, políticas e econômicas sob a perspectiva da Justiça Climática. Os eixos temáticos definidos para orientar os debates e a articulação dos movimentos sociais são: Justiça Climática e Reparação Histórica; Combate ao Racismo Ambiental e ao Poder Corporativo; Feminismo Popular e Antipatriarcado; Anticolonialismo e Valorização da Biodiversidade; Transição Justa, Democrática e Popular; Territórios Vivos e Soberania Alimentar; e Cidades Justas e Periferias Vivas.
A programação da Cúpula será iniciada no dia 12 de novembro com uma barqueata. Nos dias 13 e 14, serão realizadas atividades de debate e as principais plenárias. O ponto alto da mobilização está agendado para o dia 15, o Dia Global de Ação, com a realização da Marcha da Sociedade Civil, com concentração no Mercado de São Brás e trajeto até a Aldeia Cabana. No encerramento, dia 16 de novembro, será entregue à presidência da COP e aos representantes do governo a Declaração dos Povos, um documento que consolidará as demandas e propostas construídas pelos movimentos sociais e organizações populares.
Fonte: g1.globo.com
