O empresário Thiago Brennand, condenado a mais de 20 anos de prisão por crimes sexuais e agressões contra mulheres, foi transferido na quarta-feira (12) para a Penitenciária 1 José Parada Neto, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Anteriormente, Brennand estava detido na Penitenciária 2 Doutor José Augusto Salgado, em Tremembé, interior do estado.
A unidade de Guarulhos, conforme dados divulgados até quarta-feira pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), enfrenta sérios problemas de superlotação. Com capacidade para abrigar 1.059 detentos, a penitenciária atualmente abriga 2.026 presos, representando um excedente de 967 pessoas. A unidade prisional destina-se a condenados que cumprem pena em regime fechado e semiaberto. Brennand está no regime fechado.
Policiais penais informaram que cada cela na penitenciária comporta, em média, entre seis e oito presos. A equipe de reportagem procurou a SAP para obter um posicionamento sobre a superlotação, mas ainda aguarda resposta.
Antes de ser transferido para Tremembé em julho de 2024, Brennand estava detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) 1 de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Sua prisão inicial ocorreu em abril de 2023, após a exibição de denúncias contra ele em um programa de televisão em 2022. As denúncias incluíam vídeos do empresário agredindo uma mulher em uma academia em São Paulo, além de outras acusações de violência sexual. Brennand sempre negou as acusações, afirmando que as relações foram consensuais.
O advogado de Brennand, Alberto Zacharias Toron, afirmou que a transferência de seu cliente foi um pedido dele “para ficar mais próximo do filho que está em São Paulo e, quiçá, de seus advogados.”
Atualmente, Brennand possui ao menos quatro condenações na Justiça por crimes que envolvem violência contra mulheres. A primeira condenação ocorreu em outubro de 2023 por estuprar uma norte-americana em Porto Feliz, em julho de 2021. A defesa recorreu, e em setembro de 2024 a Justiça reduziu a pena de 10 anos para 8 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. A segunda condenação foi em novembro de 2023, com pena de 1 ano e 8 meses de prisão em regime semiaberto por lesão corporal ao agredir uma mulher em agosto de 2022 em uma academia em São Paulo. A terceira condenação, em setembro de 2024, resultou em uma pena de 10 anos e 6 meses de prisão por estuprar uma mulher, filmar o ato e ameaçá-la em 2016. A quarta condenação ocorreu em setembro de 2025, com pena de 8 anos de prisão pelo estupro de uma estudante de medicina em 2021.
Além das penas de prisão, Brennand também foi condenado a pagar indenizações às vítimas, que ultrapassam R$ 200 mil.
Em outubro de 2024, a Justiça anulou a condenação de Brennand pelo estupro de uma massagista e o absolveu. Ele respondia a outros processos criminais por ameaça, injúria, sequestro, cárcere privado, calúnia e difamação. Dois desses processos foram arquivados: um por ameaça contra o caseiro de uma propriedade em um condomínio de luxo e outro por injúria contra um garçom de um hotel.
Fonte: g1.globo.com
