Máscaras de Chico Mendes e do Cacique Raoni, uma alegoria do Boitatá e carros de som que alternavam discursos políticos com ritmos de carimbó e brega tomaram as ruas de Belém no sábado, em uma demonstração da diversidade cultural e social da Amazônia. A Marcha Mundial pelo Clima ganhou as ruas da capital paraense.
A manifestação, organizada por integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, reuniu participantes de organizações de todos os continentes, povos tradicionais e comunidades paraenses. Segundo os organizadores, a marcha atraiu cerca de 70 mil pessoas, que caminharam do Mercado de São Brás, no centro histórico da cidade, até a Aldeia Cabana, um percurso de aproximadamente 4,5 km sob um sol de 35°C.
Darcy Frigo, do Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) e da comissão política da Cúpula dos Povos, enfatizou a necessidade de proteger quem protege a floresta, e que órgãos oficiais e a ONU reconheçam. Eduardo Giesen, da Global Campaign to Demand Climate Justice, reforçou o coro, denunciando as falsas soluções para as mudanças climáticas, como fundos de financiamento para florestas, e pediu para que a exploração de petróleo na Amazônia e a proliferação de combustíveis fósseis em todo o mundo não ocorram.
As ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, marcaram presença na marcha, subindo no carro principal para expressar seu apoio. Marina Silva ressaltou o caráter popular da COP realizada no Brasil, que permite o encontro das periferias, das águas, das cidades, dos campos e das florestas, locais que enfrentam as mudanças climáticas. A ministra também destacou a importância de traçar um mapa do caminho para uma transição justa e para o fim da dependência dos combustíveis fósseis.
O coordenador do Arraial do Pavulagem, Júnior Soares, destacou a importância das condições ambientais para as tradições culturais urbanas. Marciele Albuquerque, indígena Munduruku e ativista, defendeu a demarcação de terras dos povos tradicionais como política climática.
Um dos destaques visuais da marcha foi uma cobra de 30 metros com a frase: “Financiamento direto para quem cuida da floresta”. A escultura, criada por 16 artistas de Santarém em parceria com a Aliança dos Povos pelo Clima, apoia a campanha “A gente cobra”, que exige o financiamento direto para as populações que vivem na floresta amazônica.
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) também marcou presença, trazendo a demanda social por moradia, intimamente ligada aos problemas climáticos. Rud Rafael, coordenador nacional do MTST, afirmou que a questão ambiental tem ganhado cada vez mais importância nas pautas do movimento.
Kwami Kpondzo, de Togo, representante da Global Forest Coalition, defendeu a união de todos os movimentos populares como forma de enfrentar os problemas ambientais globais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

