Na Bahia, uma transformação notável tem chamado a atenção: uma área antes degradada se tornou um modelo inspirador de restauração da Mata Atlântica. Uma extensa área verde, abrangendo mais de 5 mil hectares, equivalente a 5 mil campos de futebol, exibe a exuberância da Mata Atlântica nativa. Uma lagoa de águas azuladas se destaca na paisagem, contrastando com o histórico do local. Há menos de 15 anos, a área apresentava um quadro de intensa degradação, com erosão que levava sedimentos para a lagoa, turvando suas águas.
A reviravolta teve início em 2010, quando uma antiga fazenda de pecuária foi transformada em um laboratório a céu aberto dedicado à pesquisa e restauração da Mata Atlântica. O replantio e o reflorestamento foram cruciais nesse processo de recuperação.
Desde então, a área se dedica à identificação de matrizes na natureza, com foco em árvores, muitas das quais ameaçadas de extinção. A coleta da diversidade genética remanescente da Mata Atlântica e sua transferência para a área são etapas fundamentais.
O ciclo se completa com a seleção de espécies e a coleta cuidadosa de sementes, realizada no topo das árvores. As sementes são então plantadas por membros da comunidade local. Anualmente, cerca de 5 milhões de mudas são produzidas e vendidas para empresas engajadas na restauração de áreas degradadas. Além disso, a área investe em experimentos ecológicos e econômicos de longo prazo.
Um dos diferenciais do projeto reside no espaço dedicado às árvores de melhor desempenho em crescimento, forma e saúde. Em estufas, essas árvores são replicadas em larga escala, por meio de cruzamentos e clonagem, resultando no melhoramento genético das espécies.
De um total inicial de 56 espécies nativas, o número saltou para 160, incluindo 18 ameaçadas de extinção. Uma parceria com uma instituição israelense identificou quatro espécies com alta capacidade de recuperação após longos períodos de seca e grande potencial para reflorestamento sustentável: jequitibá-rosa, ipê-felpudo, vinhático e jacarandá-da-bahia.
O trabalho combina conservação ambiental com a produção de madeira de alta qualidade, oferecendo uma alternativa viável à exploração das florestas nativas. O manejo realizado na área é contínuo, garantindo que a área seja utilizada de forma sustentável, com colheita e replantio constantes. A iniciativa demonstra que é possível produzir mais madeira e estocar mais carbono na mesma área, promovendo o desenvolvimento sustentável.
Fonte: g1.globo.com
