© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar na tarde desta quinta-feira (1º), deixando o Hospital DF Star em Brasília após mais de uma semana de internação. Sua saída da unidade de saúde marcou o retorno imediato à Superintendência da Polícia Federal na capital federal, onde cumpre pena desde novembro. A alta médica ocorreu após uma série de procedimentos, incluindo uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral e exames complementares para investigar e tratar problemas gastrointestinais, como esofagite e gastrite, além de uma crise persistente de soluços. A liberação hospitalar foi seguida pela negação, por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, de um pedido de prisão domiciliar humanitária, reforçando a decisão anterior que mantém o ex-mandatário sob custódia na Polícia Federal. O comboio que o conduziu saiu do hospital por volta das 18h40.

Internação e procedimentos cirúrgicos

Jair Bolsonaro, que estava internado desde o dia 24 do mês passado, foi submetido a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. A hérnia inguinal é uma condição comum que ocorre quando uma porção do intestino ou outro tecido abdominal protrui através de um ponto fraco na parede muscular abdominal na região da virilha. A intervenção cirúrgica visou reparar essa fraqueza e reposicionar o tecido herniado, aliviando o desconforto e prevenindo complicações futuras que podem surgir se a hérnia não for tratada.

Após a cirurgia, a equipe médica que acompanhava o ex-presidente avaliou a necessidade de realizar outros procedimentos diagnósticos e terapêuticos. A principal preocupação foi a persistência de um quadro de soluços, que pode ser bastante incômodo e, em alguns casos, indicar condições subjacentes que necessitam de atenção. A persistência de soluços levou os médicos a investigar possíveis causas relacionadas ao sistema gastrointestinal superior.

Recuperação e diagnósticos complementares

Em decorrência da crise de soluços, o ex-presidente foi submetido a uma endoscopia na quarta-feira (31). Este exame, que permite a visualização direta do trato gastrointestinal superior (esôfago, estômago e duodeno), revelou a persistência de esofagite e gastrite. A esofagite é uma inflamação do esôfago, o tubo que transporta o alimento da boca ao estômago, enquanto a gastrite é a inflamação do revestimento do estômago. Ambas as condições podem causar uma série de sintomas, incluindo dor, azia, dificuldade para engolir e, potencialmente, contribuem para crises de soluços persistentes.

Os médicos informaram na quarta-feira (31) uma melhora significativa da crise de soluços, o que foi um fator determinante para a decisão da alta hospitalar. A equipe programou a liberação para o dia seguinte, 1º de fevereiro, condicionado à ausência de qualquer novo problema de saúde que pudesse justificar a permanência na unidade. A evolução favorável do quadro clínico permitiu que o ex-presidente recebesse a tão esperada alta médica, finalizando seu período de recuperação hospitalar.

Retorno à custódia e decisão judicial

Com a liberação do Hospital DF Star, o ex-presidente Jair Bolsonaro retornou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A transferência ocorreu no fim da tarde da quinta-feira (1º), por volta das 18h40. Um comboio, cuidadosamente formado por batedores da Polícia Militar do Distrito Federal e veículos pretos descaracterizados, escoltou Bolsonaro desde a garagem do hospital, localizado na Asa Sul, região central da capital federal, até a sede da Polícia Federal, a poucos quilômetros de distância. Ele está sob custódia da PF desde novembro, após uma condenação de 27 anos e 3 meses de prisão, relacionada a uma trama golpista.

Indeferimento do pedido de prisão domiciliar

Na manhã da mesma quinta-feira, antes mesmo da alta hospitalar, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou um pedido feito pela defesa de Jair Bolsonaro. A solicitação visava a concessão de prisão domiciliar de natureza humanitária, argumentando a condição de saúde do ex-presidente após os procedimentos cirúrgicos. No entanto, em sua decisão, o ministro Moraes avaliou que a defesa não apresentou “fatos supervenientes que pudessem afastar os motivos determinantes da decisão de indeferimento do pedido de prisão domiciliar humanitária proferida no dia 19 de dezembro de 2025”.

Essa decisão reforçou a manutenção da custódia na Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro permanece preso. O documento de Moraes, contudo, assegurou que o ex-presidente terá acesso integral aos médicos de sua confiança, bem como aos medicamentos necessários para seu tratamento e recuperação. Além disso, foi autorizado o acompanhamento de um fisioterapeuta para auxiliar em sua reabilitação e a entrega de comida preparada por seus familiares, garantindo que suas necessidades de saúde e bem-estar sejam atendidas mesmo sob custódia policial.

Perspectivas e o futuro legal

O retorno de Jair Bolsonaro à Superintendência da Polícia Federal após a alta hospitalar marca o fim de um breve período de interrupção em sua custódia, focada em questões de saúde. A negativa de prisão domiciliar por parte do ministro Alexandre de Moraes reitera a posição do sistema judiciário em relação à sua detenção, mantendo as condições previamente estabelecidas. Este episódio sublinha a continuidade dos processos legais contra o ex-presidente, que cumpre pena decorrente de uma condenação por participação em uma trama golpista. A atenção agora se volta para os próximos passos de sua recuperação em ambiente de custódia e para os desdobramentos de seus processos judiciais, que seguem em andamento.

Perguntas frequentes

Qual foi o motivo da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro?
Jair Bolsonaro foi internado para ser submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral, uma condição que causa uma protuberância de tecido na região da virilha.

Quais procedimentos médicos Bolsonaro realizou durante a internação?
Além da cirurgia de hérnia inguinal, ele passou por uma endoscopia que diagnosticou esofagite e gastrite, e recebeu tratamento para uma persistente crise de soluços.

Por que o pedido de prisão domiciliar foi negado?
O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de prisão domiciliar de natureza humanitária, alegando que a defesa não apresentou “fatos supervenientes” que justificassem a mudança da decisão anterior de indeferimento, tomada em 19 de dezembro de 2025.

Onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está detido atualmente?
Após receber alta hospitalar, Jair Bolsonaro retornou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde está preso desde novembro.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br