A indústria brasileira encerrou o ano de 2025 com um crescimento de 0,6%, impulsionada pela pressão exercida pelos juros altos. Mesmo com a desaceleração nos últimos meses do ano, esse resultado representa o terceiro ano consecutivo de expansão na produção industrial do país. Os dados são provenientes da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3).
Desempenho da indústria em 2025
Em 2024, o crescimento foi de 3,1%, enquanto em 2023 foi de 0,1%. A perda de ritmo em 2025 é evidente ao comparar os dados do primeiro e segundo semestres. Até junho, a produção industrial acumulou um crescimento de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Porém, nos últimos seis meses do ano, houve uma variação nula nesse tipo de comparação. Especificamente de setembro a dezembro, o resultado foi um recuo de 1,9%.
Setores e atividades em destaque
A produção industrial registrou crescimento em duas das quatro grandes categorias econômicas em 2025: bens de consumo duráveis (2,5%) e bens intermediários (1,5%). Por outro lado, bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de capital (-1,5%) apresentaram queda. Das 25 atividades analisadas pelo IBGE, 15 mostraram avanço, com destaque para as indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). Além disso, 49,6% dos 789 produtos pesquisados registraram aumento na produção.
Impacto dos juros altos
O gerente da pesquisa, André Macedo, apontou que a razão para a estagnação da indústria no final do ano foi a política monetária restritiva, representada pelo alto nível da taxa básica de juros, a Selic. Ele destacou que os juros elevados têm o efeito de desacelerar a economia, afetando o setor industrial. Macedo explicou que, com os juros altos, as empresas adiam suas decisões de investimento, o que também impacta o consumo das famílias, especialmente nos bens duráveis.
Preocupações com a inflação e desemprego
Em setembro de 2024, o Copom iniciou o aumento da Selic, que chegou a 15% em junho de 2025, devido à crescente inflação. A meta de inflação do governo é de 3%, com margem de 1,5 p.p. para mais ou para menos. A elevação da Selic influencia as demais taxas de juros, desestimulando investimentos e consumo. Embora a economia em marcha lenta possa reduzir a inflação, também pode diminuir a geração de empregos. No entanto, ao final de 2025, houve um recorde na queda da taxa de desemprego, conforme divulgado pelo IBGE.

