© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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As favelas brasileiras abrigam uma população jovem, negra e trabalhadora, com projetos concretos de futuro, porém enfrentam desafios estruturais que vão desde a segurança até a educação. Essa realidade foi revelada pela pesquisa Sonhos da Favela, conduzida pelo Data Favela em diversas regiões do Brasil, com destaque para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Perfil sociodemográfico

O estudo, baseado em 4.471 entrevistas com maiores de 18 anos, revelou que a maioria dos moradores de favelas possui entre 30 e 49 anos (58%), seguidos por jovens de 18 a 29 anos (25%) e pessoas com mais de 50 anos (17%). A maioria se identifica como mulheres (60%) e negros (49% pardos e 33% pretos). Quanto à escolaridade, 8% possuem ensino fundamental completo, 35% ensino médio completo, 11% ensino superior completo e 5% pós-graduação.

Em relação à renda, cerca de 60% ganham até um salário mínimo, 27% recebem entre R$ 1.521 e R$ 3.040, e 15% têm renda acima de R$ 3.040. A maioria (56%) não recebe benefícios do governo, sendo Bolsa Família/Auxílio Brasil o mais citado entre os beneficiários (29%). Quanto ao trabalho, 30% têm carteira assinada, 34% são informais, 17% estão desempregados e 8% estão fora da força de trabalho.

Demandas e aspirações

Ao projetarem o futuro, os moradores de favelas expressam o desejo por melhorias na segurança, moradia, saúde e educação. O estudo aponta que 31% planejam ter uma casa melhor, 22% buscam uma saúde de qualidade, 12% desejam a entrada dos filhos na universidade e 10% priorizam a segurança alimentar.

Infraestrutura territorial

Quando questionados sobre as mudanças desejadas nos territórios em 2026, os moradores destacaram saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%) como principais áreas de melhoria. Em relação às opções de esporte, lazer e cultura nas comunidades, 35% consideram-nas ruins ou muito ruins, e 32% as avaliam como regulares.

Desafios de raça e gênero

A pesquisa revelou que metade dos entrevistados acredita que a cor da pele impacta nas oportunidades de trabalho, enquanto 43% discordam. Sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na favela, 70% apontam a violência doméstica/feminicídio como principal, seguido pela dificuldade com emprego e renda (43%). As políticas públicas consideradas mais urgentes para as mulheres são programas de inserção no mercado de trabalho (62%), campanhas educativas contra o machismo (44%) e serviços de atendimento 24h (43%).

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br