© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta terça-feira (24), condenar o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por abuso de poder político e econômico em sua campanha à reeleição em 2022. A decisão, proferida por maioria de votos, torna Castro inelegível por um período de oito anos, com contagem a partir do pleito de 2022, impedindo-o de disputar qualquer eleição até 2030. O veredito representa um revés significativo para o político, que havia renunciado ao cargo no dia anterior, visando uma pré-candidatura ao Senado.

A Decisão do TSE e Seus Efeitos Imediatos

A corte eleitoral, por cinco votos a dois, acatou o recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), revertendo uma decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que havia absolvido Castro e outros envolvidos. A condenação estabelece a inelegibilidade do ex-governador pelo período de oito anos, prazo que se estende até o ano de 2030, comprometendo seus planos políticos de curto e médio prazo.

A renúncia de Cláudio Castro ao governo estadual, formalizada na segunda-feira (23), ocorreu para atender ao prazo de desincompatibilização eleitoral, exigido seis meses antes das eleições para quem deseja concorrer a outro cargo. No entanto, a condenação subsequente pelo TSE invalida qualquer pretensão eleitoral do ex-governador para as próximas quatro eleições gerais, incluindo a de 2024 e 2026, onde almejava uma vaga no Senado.

As Acusações de Abuso de Poder e Irregularidades

O processo que culminou na condenação de Cláudio Castro teve origem em acusações de supostas contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O Ministério Público Eleitoral alegou que o então governador obteve vantagem eleitoral indevida por meio da contratação de servidores temporários sem o devido amparo legal.

Além das contratações temporárias, a acusação detalhou a descentralização de projetos sociais para entidades desvinculadas da administração pública do Rio, configurando um desvio de finalidade para fins eleitorais. Segundo os promotores, essas ações resultaram na contratação de 27.665 pessoas, com um custo total de R$ 248 milhões aos cofres públicos, configurando um esquema robusto de abuso de poder com impacto direto no pleito de 2022.

Argumentos e Votos no Julgamento

O julgamento no TSE foi marcado por intensos debates, que se estenderam por diversas sessões. Votaram pela condenação e inelegibilidade os ministros Maria Isabel Galotti, Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e a presidente do TSE, Cármen Lúcia. Esta última, ao proferir seu voto, expressou profunda tristeza, lamentando que o Judiciário tivesse que julgar novamente “práticas gravíssimas” cometidas por representantes eleitos do Rio de Janeiro.

Dois ministros divergiram do entendimento da maioria. Nunes Marques argumentou que não ficou comprovado o uso eleitoreiro das contratações, nem impactos negativos significativos nas campanhas dos demais concorrentes, citando a vitória expressiva de Castro, que obteve mais que o dobro dos votos do segundo colocado. André Mendonça, por sua vez, divergiu ao considerar que não houve participação direta do então governador nas irregularidades, embora reconhecesse os dividendos eleitorais colhidos. Para Mendonça, a renúncia anterior de Castro tornaria a sanção de inelegibilidade inaplicável.

Reação da Defesa e Recurso Anunciado

Durante o julgamento, a defesa de Cláudio Castro, representada pelo advogado Fernando Neves, sustentou que o governador apenas sancionou uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa e um decreto para regulamentar a atuação da Ceperj, e, portanto, não poderia ser responsabilizado por eventuais irregularidades. O advogado argumentou que a responsabilidade pela execução dos atos recairia sobre outros agentes públicos.

Após a divulgação da decisão, Cláudio Castro utilizou suas redes sociais para manifestar sua intenção de recorrer. Ele reafirmou que comandou o estado dentro da legalidade, com responsabilidade e compromisso com a população fluminense. O ex-governador declarou que, após ter acesso à íntegra do acórdão, buscará lutar “até a última instância para restabelecer o que considera um desfecho justo” para o caso.

Implicações para Outros Envolvidos no Caso

A decisão do TSE não se limitou a Cláudio Castro. Outros envolvidos no processo também foram penalizados. Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj, e o deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar (União), que ocupava o cargo de ex-secretário de governo, foram declarados inelegíveis. No caso de Bacellar, o tribunal determinou que seus votos sejam retotalizados, o que implicaria na perda de seu mandato de deputado, embora essa medida não seja imediata, pois ainda cabe recurso.

O ex-vice-governador Thiago Pampolha, por sua vez, foi condenado ao pagamento de multa, uma sanção de menor gravidade em comparação com a inelegibilidade imposta aos demais. As diferentes penalidades refletem os distintos níveis de envolvimento e responsabilidade atribuídos a cada um dos acusados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Perspectivas Futuras

A condenação de Cláudio Castro e de outros políticos pelo TSE reforça a postura rigorosa da Justiça Eleitoral no combate ao abuso de poder. O resultado impacta diretamente o cenário político do Rio de Janeiro, reorganizando as forças para os próximos pleitos e abrindo espaço para novas lideranças. A batalha jurídica do ex-governador, agora, se move para as instâncias recursais, onde ele buscará reverter a inelegibilidade que, por ora, o afasta de qualquer pretensão eleitoral.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br