© Bioparque Vale Amazônia/Divulgação
Compartilhe essa Matéria

O BioParque Vale Amazônia, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas (PA), celebra a chegada de um novo e significativo morador: um filhote de onça-pintada macho, batizado de Xingu. Nascido em dezembro do ano anterior, o jovem felino representa não apenas um motivo de alegria para a equipe do parque, mas também um avanço crucial nas estratégias nacionais de conservação da onça-pintada, espécie emblemática da fauna brasileira e ameaçada de extinção.

Xingu: Um Nome com Raízes e Propósito

A escolha do nome Xingu para o filhote não foi por acaso. Definido por votação popular na semana passada, é uma homenagem a um dos mais importantes afluentes do rio Amazonas, que percorre os biomas Amazônia e Cerrado, banhando terras desde o Mato Grosso até sua foz no Pará, e sustenta inúmeros povos e comunidades tradicionais. A iniciativa de propor nomes de rios amazônicos – como Xingu, Tapajós e Solimões – seguiu uma tradição, já que os irmãos mais velhos de Xingu, Rhudá e Rhuana, que atualmente residem em outros zoológicos em São Paulo, também possuem nomes indígenas, conforme explicou Rejânia Azevedo, analista administrativa do BioParque.

O Legado de Marília e Zezé: Histórias de Resgate e Preservação

Xingu é fruto do casal Marília e Zezé, cujas histórias ressaltam o papel fundamental do BioParque na reabilitação de animais silvestres. Marília, a mãe, foi resgatada de um cativeiro ilegal, enquanto Zezé, o pai, nasceu em uma instituição de Goiás, sendo filho de onças também resgatadas de cativeiros clandestinos. Devido à sua exposição prolongada à influência humana e à perda de habilidades essenciais, esses animais não possuem condições de serem reintroduzidos em seus habitats naturais. Rejânia Azevedo enfatiza que o BioParque não captura animais da natureza; todos chegam por meio de órgãos ambientais, geralmente oriundos de apreensões e cativeiros ilegais, alguns necessitando de cuidados intensivos devido a ferimentos ou mutilações.

BioParque Vale Amazônia: Um Centro de Vida e Esperança

Inserido no coração da Floresta Nacional de Carajás (Flona), o BioParque Vale Amazônia é mantido pela Vale e possui 41 anos de existência. Ocupando uma área de 30 hectares, dos quais aproximadamente 70% são de floresta nativa, o parque é um membro ativo da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). Sua atuação está alinhada com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas (ICMBio), seguindo rigorosas metas nacionais e internacionais para a preservação da biodiversidade. Atualmente, o BioParque abriga 360 animais de 70 espécies distintas, consolidando-se como um importante polo para a pesquisa, conservação e educação ambiental.

Reabilitação: A História de Chicó

O trabalho do BioParque vai além da reprodução de espécies ameaçadas. A instituição se destaca na reabilitação de animais resgatados, como exemplifica a marcante história de Chicó, uma macaca-aranha. Resgatada de Mato Grosso, Chicó viveu 18 anos acorrentada em um bar, onde era submetida a maus-tratos, inclusive recebendo cachaça para divertir clientes. Ao chegar ao parque, após denúncias, ela estava extremamente debilitada e havia perdido completamente os hábitos naturais de sua espécie, não utilizando sequer a cauda como quinto membro para se segurar. Graças a um intensivo processo de reabilitação conduzido por biólogos e veterinários, Chicó pôde reaprender a ser um macaco-aranha, um testemunho do compromisso do BioParque com a recuperação da dignidade animal.

O Futuro de Xingu: Do Manejo ao Encontro com o Público

Com três meses de vida, Xingu permanece sob os cuidados da mãe na área de manejo do parque, longe da vista do público visitante. A decisão de mantê-lo reservado se dá pela sua condição de bebê, necessitando de um período de aprendizado e desenvolvimento com Marília. A expectativa é que, ao atingir os cinco ou seis meses de idade, a mãe comece a introduzi-lo gradualmente ao espaço de exposição. Por ter nascido em cativeiro, Xingu, assim como seus pais, não poderá ser readaptado à natureza. Ele permanecerá no BioParque ou será destinado a outro zoológico, contribuindo para programas de conservação. Em sua fase adulta, a onça-pintada, o maior felino das Américas, pode alcançar impressionantes 1,90 metro de comprimento, 80 centímetros de altura e pesar até 135 quilos.

Um Símbolo de Esperança para a Biodiversidade

O nascimento de Xingu é a sétima reprodução de onças-pintadas registrada no BioParque nos últimos 12 anos, solidificando a instituição como um pilar fundamental na preservação dessa espécie ameaçada. Através de seu trabalho incansável de resgate, reabilitação e reprodução em cativeiro, o BioParque Vale Amazônia não apenas oferece uma segunda chance a animais que foram vítimas da ação humana, mas também reforça a importância da conscientização ambiental e da colaboração para garantir um futuro para a rica biodiversidade brasileira. Xingu, com seu nome que evoca a grandiosidade dos rios amazônicos, emerge como um novo embaixador dessa causa vital.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você Também Pode Gostar

Cultura anuncia datas para consultorias públicas da PNAB 2024 com a classe artística e agentes culturais em Osasco

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaA Secretaria de Cultura da Prefeitura de Osasco iniciará na…

Cidades de São Paulo registram diminuição de até 96% nos números de criminalidade com uso de totens de segurança

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaCotia, Diadema e São Vicente estão entre os municípios que…

Saúde convoca a população para dose de reforço contra a febre amarela

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaConfira a unidade de saúde mais próxima de sua residência…

Barueri abre novos cursos de geração de renda 

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa Matéria A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Barueri…