© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Um estudo recente do Mapbiomas revelou que a vegetação nativa do Brasil aumentou 260% nas últimas quatro décadas, passando de 2,7 milhões de hectares em 1986 para 7,1 milhões em 2023. Esse crescimento, embora positivo em termos de quantidade, é acompanhado pela fragmentação significativa das áreas verdes no país.

O Impacto da Fragmentação da Vegetação Nativa

A pesquisa também destacou a diminuição do tamanho médio dos fragmentos de vegetação nativa. Em 1986, a média era de 241 hectares, enquanto em 2023, caiu para apenas 77 hectares. Essa mudança levanta preocupações sobre a biodiversidade, pois o tamanho dos fragmentos está diretamente ligado à diversidade de espécies vegetais e animais.

Consequências da Redução dos Fragmentos

De acordo com Dhemerson Conciani, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a redução do tamanho dos fragmentos pode aumentar o risco de extinções locais. Além disso, diminui as chances de recolonização de espécies e intensifica os efeitos de borda, que podem alterar as características naturais das áreas afetadas.

Distribuição dos Fragmentos por Bioma

O estudo revelou que quase 5% da vegetação nativa do Brasil, correspondente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos menores que 250 hectares. A Mata Atlântica e o Cerrado são os biomas com o maior número de fragmentos isolados, com 2,7 milhões de fragmentos em cada um. O aumento da fragmentação ocorre por diferentes motivos em cada bioma, refletindo os desafios específicos que cada região enfrenta.

A Fragmentação nos Biomas Brasileiros

No Cerrado, o crescimento dos fragmentos é atribuído ao desmatamento, enquanto na Mata Atlântica, parte desse aumento é devido à recuperação de áreas de vegetação secundária. Em outros biomas, como a Amazônia e o Pantanal, a fragmentação também apresenta índices alarmantes, com aumentos de até 350% no número de fragmentos.

Novas Análises e Desafios para a Conservação

O Módulo de Degradação do Mapbiomas possibilitou novas análises sobre as perturbações nas florestas da Amazônia. Entre 1988 e 2024, cerca de 24,9 milhões de hectares de floresta na Amazônia Legal foram afetados por distúrbios, como secas, incêndios e cortes seletivos de madeira. Esses fatores de degradação, enquanto não resultam necessariamente em desmatamento completo, comprometem a saúde dos biomas.

A Necessidade de Ações Imediatas

Com 24% da vegetação nativa do Brasil exposta a algum tipo de degradação, que abrange uma área de 134 milhões de hectares, a urgência de medidas de conservação e recuperação se torna evidente. É essencial que ações eficazes sejam implementadas para proteger e restaurar a biodiversidade nas regiões afetadas.

Em suma, embora o aumento da vegetação nativa no Brasil seja um sinal positivo, a fragmentação e os desafios associados à degradação ambiental exigem atenção imediata para garantir a preservação da biodiversidade e a saúde dos ecossistemas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br