Uma recente decisão do Tribunal de Justiça do Paraná resultou na alteração da classificação do crime de um homem acusado de agredir sua companheira. José Rodrigo Bandura, preso desde junho de 2025 por ter ateado fogo na vítima, agora enfrentará acusações de lesão corporal grave em vez de tentativa de homicídio.
Mudança na Qualificação do Crime
A reclassificação do crime implica uma significativa redução na pena máxima, que passa de até 20 anos para cinco anos. Isso se deve ao fato de que o crime de lesão corporal grave não é considerado hediondo, permitindo que o caso seja julgado na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Contexto do Caso
Os desembargadores Miguel Kfouri Neto, Mauro Bley Pereira Junior e Rotoli de Macedo justificaram a desclassificação ao considerar o “arrependimento eficaz” de Bandura, que prestou assistência à vítima após o ataque. Em reportagens da época, ficou evidente que a mulher teve que se refugiar em um banheiro para escapar das agressões.
Reações e Implicações Legais
O Ministério Público do Paraná está avaliando a possibilidade de recorrer da decisão, aguardando uma análise técnica antes de formalizar qualquer ação. Além disso, o MP se opôs ao pedido de liberdade apresentado pela defesa de Bandura, que foi negado pela Justiça.
Histórico de Violência
Bandura possui um histórico preocupante, tendo respondido a oito processos relacionados à violência doméstica, todos arquivados. Em 2019, ele foi condenado a mais de três meses em regime semiaberto e a pagar indenização de R$ 2 mil à vítima por agressões anteriores.
A Luta Contra a Violência de Gênero
Desde 2015, o feminicídio é classificado como crime hediondo no Brasil, impulsionando campanhas de conscientização como o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Recentemente, o Congresso também discutiu um projeto de lei que visa criminalizar a misoginia, o que pode trazer novas abordagens no combate à violência contra a mulher.
Avanços Legislativos
O projeto de lei 896/2023, que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito, foi aprovado no Senado com amplo apoio, sinalizando um avanço nas iniciativas de proteção às mulheres e no reconhecimento da gravidade da violência de gênero.

