© Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Compartilhe essa Matéria

Nos últimos dez anos, a presença de pessoas com 60 anos ou mais no mercado de trabalho brasileiro cresceu de forma significativa, alcançando um aumento de 53%. Este crescimento notável supera o aumento da população idosa no país, que foi de 37% no mesmo período. Apesar desse avanço, a maioria das novas vagas apresenta características de informalidade, o que levanta preocupações sobre a proteção e os direitos trabalhistas desse grupo.

Cenário Atual do Trabalho para Idosos

De acordo com um estudo recente da empresa de pesquisa Nexus, o número de idosos no Brasil subiu de 25,8 milhões em 2016 para 35,2 milhões em 2025. Essa mudança representa um aumento na proporção de idosos na população, que passou de 13% para 17%. O crescimento do número de trabalhadores com 60 anos ou mais também é expressivo, subindo de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões. Em 2022, 25% dos idosos estavam empregados, um aumento em relação aos 22% registrados em 2016.

Comparação com a População Geral

Durante o mesmo período, a população total do Brasil cresceu apenas 5%, passando de 203,2 milhões para 212,6 milhões. Em contraste, o número de empregos aumentou 14,6%, resultando em quase 103 milhões de trabalhadores no país até 2025. Essa dinâmica revela uma crescente participação dos idosos na força de trabalho, enquanto a população jovem e a taxa de desemprego apresentam um cenário diferente.

Desafios e Oportunidades

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve essa situação como um ‘copo meio cheio, meio vazio’. Por um lado, é positivo que muitas pessoas acima de 60 anos permaneçam ativas no mercado de trabalho. Por outro lado, essa realidade traz à tona questões de precarização e informalidade, que afetam diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores mais velhos. Veja também: Desmatamento e a Situação Atual da Amazônia: Entenda os Desafios.

Influências da Reforma da Previdência

A reforma da Previdência de 2019 é citada como um fator que contribui para o aumento do número de trabalhadores idosos. Com a elevação da idade mínima e do tempo de contribuição necessários para a aposentadoria, muitos idosos se veem obrigados a continuar trabalhando para garantir sua sustentabilidade financeira. As novas regras estipulam que as mulheres devem ter pelo menos 62 anos e 15 anos de contribuição, enquanto os homens precisam de 65 anos e 20 anos de contribuição.

A Realidade da Informalidade

A pesquisa da Nexus revelou que mais da metade (53%) dos trabalhadores com 60 anos ou mais estão em situação de informalidade, um índice consideravelmente maior do que a média da população, que é de 38%. Isso significa que muitos desses trabalhadores não têm acesso a direitos básicos, como férias, contribuição previdenciária e 13º salário. Essa informalidade é vista como uma característica estrutural do mercado de trabalho para idosos.

Necessidade de Políticas Públicas

Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de políticas públicas que incentivem a formalização do trabalho e promovam uma revisão das estruturas corporativas. A inclusão geracional e a ergonomia no ambiente de trabalho são aspectos que devem ser considerados para garantir que os trabalhadores mais velhos possam continuar contribuindo de maneira digna e segura.

Em resumo, o crescimento do emprego entre pessoas com 60 anos ou mais no Brasil é um fenômeno positivo, mas que traz consigo desafios significativos relacionados à informalidade e à precarização do trabalho. A implementação de políticas adequadas é fundamental para assegurar que essa população tenha acesso a direitos e condições de trabalho justas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br