© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Recentemente, organizações ambientais expressaram sua insatisfação com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou parcialmente constitucionais duas leis estaduais. Essas leis, oriundas de Mato Grosso e Rondônia, proíbem a concessão de incentivos fiscais e terrenos públicos para empresas que participam da Moratória da Soja.

Impactos da Decisão do STF

A coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, alertou que a validação dessas leis representa um retrocesso significativo. Segundo ela, tal decisão pode reverter os avanços recentes na redução do desmatamento na Amazônia, conforme sugerido por estudos recentes.

Preocupações com o Compromisso Ambiental

Mazzetti destacou que as novas restrições podem desincentivar o setor privado a manter ou assumir compromissos com a meta de desmatamento zero. Isso se torna ainda mais alarmante considerando que, desde a implementação de leis similares, grandes empresas começaram a se afastar de acordos voluntários, como foi o caso da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que saiu da iniciativa em janeiro deste ano.

Repercussões da Moratória da Soja

Durante a análise das leis, o STF também reafirmou a constitucionalidade da Moratória da Soja, que é um pacto estabelecido em 2006. Este acordo determina que as empresas se comprometam a não comercializar soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, em troca de incentivos fiscais e acesso a créditos.

Riscos de Aumento no Desmatamento

Um estudo recente publicado na revista Science apontou que a extinção da Moratória da Soja poderia resultar em um desmatamento adicional de cerca de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos, evidenciando os riscos associados à decisão do STF.

Conclusão

A decisão do STF em validar as leis estaduais que restringem incentivos fiscais levanta preocupações significativas sobre o futuro dos compromissos ambientais no Brasil. A possibilidade de um aumento no desmatamento, aliado à desmotivação do setor privado em seguir práticas sustentáveis, exige uma reflexão profunda sobre as diretrizes que estão sendo estabelecidas para a proteção da Amazônia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br