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Dois novos documentários lançados neste mês revisitam a vida e a trágica morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida há 50 anos, durante a ditadura militar. As produções lançam luz sobre o legado do profissional e as circunstâncias obscuras de seu falecimento.

Um dos filmes, intitulado “A Vida de Vlado – 50 anos do caso Herzog”, é uma produção da TV Cultura, emissora onde Herzog atuava como diretor no momento de sua morte. O projeto conta com o apoio do Instituto Vladimir Herzog e foi apresentado na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Sob a direção de Simão Scholz e com narração do jornalista Chico Pinheiro, o documentário resgata a trajetória de Vladimir Herzog, desde seu nascimento em 1937, na antiga Iugoslávia, até sua chegada ao Brasil com a família, fugindo da ameaça nazista. Marília Assef, diretora de jornalismo da TV Cultura, destaca que o filme apresenta materiais inéditos de Herzog. Segundo Assef, o documentário incorpora um extenso acervo do Instituto Vladimir Herzog, incluindo slides de um filme sobre Canudos, que foram feitos por Vlado e recentemente recuperados. Além disso, o rico acervo da TV Cultura também contribuiu significativamente para a produção.

O segundo documentário, “Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura”, produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta, concentra-se especificamente nas circunstâncias do crime. Márcia Cunha, diretora-executiva de conteúdo do instituto, explica que o filme examina o período que compreende a semana anterior e a semana posterior ao assassinato de Herzog.

Cunha explica que o foco no crime tem o objetivo de ilustrar a atuação e as estratégias da ditadura, que, segundo ela, inclusive se repetem atualmente. Ela cita como exemplo a existência de um “gabinete do ódio”.

Devido à escassez de imagens de arquivo das situações retratadas, os produtores optaram por utilizar histórias em quadrinhos como recurso visual. Antônio Farinaci, diretor e roteirista do documentário, explica que a abordagem busca uma forma de recriar os eventos que não possuem registros visuais, utilizando relatos e depoimentos como base.

O filme apresenta depoimentos de jornalistas como Dilea Frate, Paulo Markun, Rose Nogueira e Sérgio Gomes, além de Ivo Herzog, filho de Vladimir, e João Batista de Andrade, diretor e produtor de cinema e televisão.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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