G1
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Celebridades têm demonstrado um crescente interesse em investir no futebol, transformando clubes em ativos de mídia e plataformas de entretenimento. Em julho, o rapper Snoop Dogg se juntou ao Swansea City, do País de Gales, enquanto os atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney se tornaram proprietários do Wrexham AFC. Na Inglaterra, Michael B. Jordan investiu no AFC Bournemouth, Will Ferrell no Leeds United, e Ed Sheeran no Ipswich Town. Reese Witherspoon, Matthew McConaughey, Eva Longoria e Natalie Portman também têm participações em clubes nos Estados Unidos e no México.

No Brasil, a cantora Kelly Key fundou o Kiala FC, em Angola, com o objetivo de formar jovens jogadores. O rapper L7nnon está em processo de aquisição do Olaria, clube tradicional do Rio de Janeiro.

O Wrexham AFC, adquirido por Reynolds e McElhenney em 2021, é um exemplo de sucesso. O clube galês ascendeu três divisões consecutivas, alcançando a Championship, a segunda divisão inglesa. A trajetória do clube virou a série documental “Welcome to Wrexham”, premiada com dez Emmys. O sucesso do clube impulsionou o turismo na região, com um aumento de cerca de 50% desde 2021, movimentando 191 milhões de libras por ano. Em 2024, o crescimento foi de 6,3% em relação ao ano anterior.

Para Pedro Oliveira, cofundador da OutField, a tecnologia permitiu ampliar o vínculo do fã com o clube, eliminando barreiras geográficas. O Angel City FC, time feminino cofundado por Natalie Portman, foi avaliado em US$ 250 milhões, tornando-se o clube feminino mais valioso do mundo. O clube se destaca também pelo modelo de gestão com forte componente social, destinando 10% da receita de patrocínios a programas comunitários em Los Angeles.

Especialistas apontam que a presença de celebridades aumenta a visibilidade, o capital simbólico e as oportunidades de crescimento midiático dos clubes. Para os investidores, é uma chance de gerar retorno financeiro, fortalecer a marca pessoal e deixar um legado.

Contudo, Rodrigo Capelo, especialista em gestão esportiva, alerta para o risco de que a busca por uma gestão sólida fique em segundo plano. Ele ressalta a importância de uma gestão sustentável e alerta para o risco de investidores aventureiros.

A criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no Brasil, em 2021, abriu caminho para que os clubes operem como empresas, atraindo investidores e modernizando a gestão. Gusttavo Lima tornou-se sócio do Atlético Clube de Paranavaí, no Paraná, e L7nnon patrocina e negocia a compra do Olaria. Kelly Key investe no Kiala FC, em Angola, buscando desenvolver jovens atletas. Apesar do ritmo gradual, há um horizonte otimista no Brasil para investimentos no futebol.

Fonte: g1.globo.com