Uma megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, revelou a crescente capacidade bélica do crime organizado, com criminosos utilizando fuzis e drones equipados para lançar granadas. A operação resultou em 121 mortes, incluindo a de quatro policiais. Durante a ação, as forças policiais apreenderam um número recorde de 91 fuzis.
De acordo com especialistas, o uso de armas “artesanais”, montadas com peças obtidas do exterior, tem se tornado cada vez mais comum. Muitas dessas peças chegam ao Brasil pelos correios ou por navios, vindas principalmente dos Estados Unidos, onde a venda de armas e componentes é mais facilitada. Traficantes aproveitam essa brecha para enviar peças separadas, que são então montadas no Brasil.
As fronteiras terrestres do país também representam um ponto crítico para a entrada de armas e peças ilegais. A fronteira com o Paraguai, a Tríplice Fronteira e áreas como Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, são consideradas particularmente vulneráveis. Regiões na região Norte do Brasil também apresentam desafios no controle de armamentos.
A produção dessas armas artesanais indica um movimento interno significativo no fluxo ilegal de armamentos. Embora a fabricação exija conhecimento especializado, ela se insere em uma cadeia produtiva e em um mercado criminal já estabelecidos. A fragilidade do sistema de fiscalização facilita a entrada e saída dessas peças do país.
Além da importação de peças, há indícios de desvio de armas de estilo militar dos próprios arsenais das forças de segurança. Metralhadoras apreendidas, com numeração preservada, foram identificadas como pertencentes a forças de segurança e desviadas do Exército.
A proteção dos arsenais públicos, das polícias e do Exército, é essencial para impedir que armas caiam nas mãos de criminosos. É necessário repensar e fortalecer as medidas de segurança para evitar o desvio desses armamentos para o crime organizado.
A operação nos complexos da Penha e do Alemão envolveu cerca de 2.500 policiais civis e militares e resultou na prisão de 81 pessoas. O evento, que ocorreu no dia 28 de outubro de 2025, foi marcado por intensos confrontos e é considerado um dos mais letais da história do Rio de Janeiro.
Fonte: g1.globo.com

