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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou uma solicitação formal ao presidente da corte, Edson Fachin, e ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, pedindo a adoção de medidas rigorosas para lidar com irregularidades na emissão de precatórios. O ofício foi datado de 28 de agosto.

Entendendo os Precatórios

Precatórios são obrigações financeiras que surgem a partir de decisões judiciais nas quais o Estado é o devedor. O processo de pagamento dessas dívidas é influenciado por limitações orçamentárias e ocorre em uma sequência específica. Frequentemente, a parte vencedora opta por vender seu direito de receber esses valores à frente do tempo, geralmente com um desconto significativo.

Irregularidades e Consequências

No ofício, Mendes destacou como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, utilizou esse sistema para levantar quantias expressivas no mercado financeiro. Ele revelou que as investigações apontaram um modelo de negócios que prejudicava os cofres públicos, uma vez que créditos judiciais eram adquiridos com descontos acentuados, mas contabilizados por valores inflacionados.

Exemplo do Setor Sucroalcooleiro

O ministro mencionou os precatórios relacionados ao setor sucroalcooleiro, que resultaram em vitórias judiciais contra o governo devido a políticas de controle de preços implementadas nas décadas de 1980 e 1990. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anulou 16 precatórios do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, resultando na devolução de R$ 4,7 bilhões ao Tesouro Nacional.

Propostas de Gilmar Mendes

Para enfrentar as irregularidades, Mendes sugeriu algumas ações, incluindo a proibição da emissão de precatórios antes que as ações judiciais que os originaram tenham transitado em julgado. Além disso, ele propôs a revogação de decisões que geraram precatórios antes desse trânsito em julgado e a proibição da comercialização de precatórios que dependem de decisões judiciais pendentes.

Investigação de Irregularidades

O ministro também requisitou investigações criminais para averiguar possíveis desvios por parte de juízes e advogados no processo de liberação de precatórios de forma irregular. Mendes sugeriu que o Ministério Público Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho da Justiça Federal fossem envolvidos nas apurações, cada um em sua respectiva capacidade, para assegurar a legalidade e a integridade do processo.

Essas ações visam não apenas coibir práticas abusivas, mas também fortalecer a confiança no sistema judiciário e proteger os recursos públicos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br