© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma maternidade pública no Rio de Janeiro tem se destacado pelo atendimento humanizado a famílias que enfrentam a dor da perda de um bebê durante a gestação, no parto ou nos primeiros dias de vida. A Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) abriu suas portas neste mês, dedicado ao luto gestacional, neonatal e infantil no Brasil, para demonstrar suas práticas de acolhimento, que vêm sendo aprimoradas há 15 anos.

Com a recente entrada em vigor da política de humanização do luto materno e parental, que determina um atendimento respeitoso e de apoio à recuperação do trauma, a maternidade da UFRJ se consolida como referência. A nova política garante às famílias o direito de ter um último momento com o bebê, registrar fotos, receber lembranças como as digitais dos pés e das mãos, registrar o nome na certidão de óbito e realizar o sepultamento ou cremação, se assim desejarem.

Na maternidade da UFRJ, esse momento de despedida acontece em um espaço especial chamado “morge”, onde a equipe busca proporcionar um ambiente de afeto e cuidado. A psicóloga Paula Zanuto compartilhou a experiência emocionante de um pai e uma avó que se despediram de um bebê que viveu apenas um dia, demonstrando o carinho e a atenção mesmo diante da perda.

O local de despedida é cuidadosamente preparado, com decoração, mantinhas e roupas para recém-nascidos, caso a família não as tenha. Coraçõezinhos de pano, feitos por voluntárias, são doados como lembrança, um para a mãe ou o pai e outro para acompanhar o bebê.

A chefe da Unidade de Atenção Psicossocial, Daniela Porto Faus, ressalta a importância de respeitar o tempo da família e oferecer apoio tanto no centro obstétrico quanto na UTI. Em casos de bebês na UTI com prognóstico reservado, a equipe oferece a oportunidade de irem para o colo da mãe antes do falecimento.

Apesar dos avanços, a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Andrea Marinho Barbosa, reconhece que a estrutura física do morge ainda é pequena para acomodar todas as famílias durante a despedida. Além disso, a maternidade oferece atendimento psicológico presencial e por telefone, mas enfrenta dificuldades em ampliar o alcance desse serviço.

A maternidade da UFRJ implementou a Enfermaria da Finitude há 15 anos, separando as mães enlutadas das demais para evitar sofrimento psíquico. A Lei 15.139 também assegura investigação sobre a causa do óbito e acompanhamento específico em novas gestações.

A nova legislação incentiva parcerias com organizações do terceiro setor para ampliar o atendimento psicológico, além de recomendar a inclusão do tema do luto materno na formação de profissionais de saúde. A unidade oferece musicoterapia para pacientes e equipes de saúde, visando aliviar o peso emocional.

A diretora da unidade, Penélope Saldanha, destaca que a implementação da política requer uma mudança de mentalidade e adaptação da estrutura, assim como ocorreu com a garantia da presença de um acompanhante no parto. A maternidade da UFRJ, referência para diversas unidades básicas de saúde, realiza pré-natal de alto risco e atende gestantes com doenças específicas, além de partos de emergência.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br