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O príncipe William revelou, nesta terça-feira, uma nova parceria focada na proteção dos defensores indígenas da Amazônia. O anúncio foi feito durante a Cúpula Global Anual da United for Wildlife, um evento dedicado ao combate de crimes ambientais em escala global.

Em seu discurso, o príncipe enfatizou a importância de garantir a segurança dos territórios e das pessoas que se dedicam à defesa da natureza para a preservação da vida selvagem. Ele destacou que a América Latina concentra 80% dos crimes ambientais globais e que a gestão das florestas depende intrinsecamente da proteção daqueles que as defendem. O príncipe anunciou a criação de um fundo inédito voltado para o apoio aos povos indígenas que protegem a Floresta Amazônica.

A iniciativa será liderada pelos próprios povos indígenas, com prioridade para os grupos mais vulneráveis e em maior risco. O príncipe William expressou otimismo em relação aos próximos cinco anos, considerados cruciais para o futuro do planeta. Ele mencionou o Earthshot Prize, que premia iniciativas de preservação ambiental, e a proximidade da COP30, a ser realizada em Belém, como oportunidades para unir esforços em prol de um mundo mais seguro e saudável.

O programa oferecerá assistência jurídica e apoio financeiro emergencial a líderes indígenas que enfrentam ameaças de grupos envolvidos na exploração de terras, territórios e recursos ancestrais, como garimpeiros. A parceria envolve a United for Wildlife, da The Royal Foundation, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), o Fundo Podáali, a Rainforest Foundation Norway (RFN) e a Re:wild.

A Cúpula Global contou com a presença de ministros de diversos países, autoridades e defensores indígenas, que discutiram temas como o tráfico de animais silvestres, o desmatamento e as ameaças enfrentadas pelos povos indígenas. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, saudou a criação da nova coalizão internacional de combate a crimes ambientais, ressaltando a necessidade de atuação conjunta para enfrentar as organizações criminosas que exploram recursos naturais e ameaçam povos indígenas.

Ilona Szabó de Carvalho, fundadora do Instituto Igarapé, alertou que a exploração descontrolada dos recursos naturais causa destruição no planeta. Ela afirmou que o crime ambiental está presente em todos os lugares e muitas vezes é negligenciado, destruindo ecossistemas e a subsistência de povos. Segundo Ilona, 91% do desmatamento da Amazônia é ilegal.

O evento também destacou o trabalho da Interpol no combate transnacional ao tráfico de animais silvestres, com mais de 60 mil animais resgatados e mais de 4 mil prisões realizadas.

O príncipe William mencionou que mais de 1,7 milhão de hectares da Amazônia foram desmatados em 2024, principalmente devido a crimes ambientais como extração ilegal de madeira, garimpo e grilagem de terras. Ele ressaltou que as comunidades indígenas, que ocupam cerca de 27% da floresta brasileira, sofrem com a destruição de seus meios de subsistência, territórios ancestrais e locais sagrados. Dados mostram que as áreas ocupadas por povos indígenas têm 83% menos desmatamento em comparação com regiões desprotegidas da Amazônia brasileira.

Fonte: g1.globo.com