© Bruno Peres/Agência Brasil
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Belém, capital do Pará, sedia a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), evento que busca impulsionar a agenda climática global. A escolha da Amazônia como palco para esta edição, bioma de importância vital para a biodiversidade e regulação climática do planeta, sinaliza a urgência de se recolocar a questão das mudanças climáticas como prioridade internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso de abertura, ressaltou a importância do evento e a responsabilidade do Brasil como anfitrião. Ele destacou que a mudança do clima não é mais uma ameaça distante, mas sim uma “tragédia do presente”, exigindo ação coordenada entre as nações.

Lula relembrou a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro há mais de 30 anos, onde líderes mundiais se reuniram para discutir desenvolvimento e proteção ambiental. Naquele momento, o multilateralismo estava em ascensão e emergiu o conceito de desenvolvimento sustentável e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

O presidente salientou que a COP retorna ao seu local de origem para recuperar o entusiasmo e o engajamento iniciais, transformando Belém na capital mundial por duas semanas. Negociadores, governadores, prefeitos, parlamentares, cientistas e organizações da sociedade civil se unem em um esforço coletivo pelo planeta.

Lula destacou que trazer a COP para a Amazônia foi um desafio necessário, pois a floresta abriga quase cinquenta milhões de pessoas, incluindo quatrocentos povos indígenas, em nove países em desenvolvimento com desafios sociais e econômicos. Ele enfatizou que os investimentos em infraestrutura realizados para a conferência beneficiarão a população local.

O presidente mencionou a Cúpula de Belém pelo Clima, que antecedeu a COP30, onde foi lançado o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, com promessas de investimento de US$ 5,5 bilhões. Foram firmados compromissos sobre manejo integrado do fogo, direito à posse da terra por povos indígenas e tradicionais, quadruplicação da produção de combustíveis sustentáveis, criação de uma coalizão sobre mercados de carbono, alinhamento da ação climática ao combate à fome e à pobreza, e a luta contra o racismo ambiental.

Lula destacou que a mudança do clima já causa tragédias presentes, como o furacão no Caribe e o tornado no Paraná, além de secas, incêndios e enchentes em diversas partes do mundo. Ele defendeu que a COP30 seja a “COP da verdade” e criticou os negacionistas que rejeitam as evidências da ciência e os progressos do multilateralismo.

O presidente apelou para que os países cumpram seus compromissos, formulem Contribuições Nacionalmente Determinadas ambiciosas, assegurem financiamento e transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento, e deem atenção à adaptação aos efeitos da mudança do clima. Ele conclamou os líderes mundiais a acelerar a ação climática, superar a dependência dos combustíveis fósseis, parar o desmatamento e mobilizar recursos para esses fins.

Lula propôs a criação de um Conselho do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU e defendeu que a emergência climática é uma crise de desigualdade, que afeta desproporcionalmente mulheres, afrodescendentes, migrantes e grupos vulneráveis. Ele enfatizou a importância de reconhecer o papel dos territórios indígenas e comunidades tradicionais na mitigação e afirmou que a transição justa deve reduzir as assimetrias entre o Norte e o Sul Global.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br