© Tr3ze/Divulgação.

A relação da sociedade com a população em situação de rua frequentemente é marcada pelo distanciamento e pela invisibilidade. Para mudar essa perspectiva, o artista plástico Geraldo Lacerdine criou a exposição “A alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade”, que não apenas homenageia o padre Júlio Lancellotti e a Pastoral do Povo da Rua, mas também visa aproximar essas pessoas do restante da comunidade.

Uma Exposição de Conexão e Humanização

A mostra, que ocupa a Lacerdine Galeria de Arte em Higienópolis, São Paulo, reúne mais de 100 fotografias, textos, instalações e vídeos. Esses elementos não apenas celebram a trajetória do padre Júlio, mas também refletem o trabalho realizado durante a pandemia de COVID-19, a partir de 2020.

O Olhar Humanizado

O padre Lancellotti enfatiza que a “alfabetização do olhar” busca ensinar as pessoas a enxergarem os indivíduos em situação de rua como humanos complexos, distantes da ideia de estereótipos como “anjos” ou “demônios”. Lacerdine destaca que a realização da exposição foi condicionada à participação ativa das pessoas retratadas, conforme declarado por Lancellotti: “Se vocês querem fazer uma homenagem a mim e ao meu trabalho, façam uma exposição em que as pessoas na situação de rua sejam o centro, e não eu”.

Retratos da Realidade

As fotografias capturam não apenas a dor, mas também os momentos de alegria e dignidade das pessoas em situação de rua. Algumas imagens apresentam o padre Júlio em ações humanitárias, quase como uma figura sagrada, enquanto outras focam nas vivências e emoções dos retratados.

A Proximidade nas Imagens

A exposição vai além da fotografia documental, criando uma conexão mais íntima entre os visitantes e as imagens. Um exemplo disso são as fotos de mulheres em situação de rua sorrindo, que foram capturadas de maneira a estabelecer um diálogo visual com o público, enriquecendo a proposta de “alfabetização do olhar”. As fotos foram tiradas com respeito e uma relação de confiança entre os fotógrafos e as pessoas fotografadas, resultando em retratos espontâneos que refletem a realidade vivida por elas.

A Importância da Empatia

Segundo o fotógrafo Tr3ze, para registrar a vida dessas pessoas é necessário um convívio real e atento. Ele explica que, ao princípio, começou a fotografar as filas de distribuição de alimentos, mas com o tempo conseguiu estabelecer conexões significativas: “Por serem totalmente ignoradas socialmente, elas querem conversar, querem ser escutadas”. Esse contato humano é fundamental para a construção de um olhar mais empático e respeitoso sobre a população em situação de rua.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br