© Marina Ramos/ Câmara dos Deputados
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O governo federal está empenhado em modificar pontos cruciais do substitutivo do Projeto de Lei Antifacção, com o objetivo de aprimorar o combate ao crime organizado no país. As principais preocupações do governo se concentram em duas áreas: o papel da Polícia Federal (PF) e o enquadramento legal das facções criminosas, buscando um consenso para a votação da matéria.

Uma das principais mudanças propostas pelo governo diz respeito à atuação da Polícia Federal. O governo busca assegurar que a PF mantenha sua autonomia e prerrogativas no combate ao crime organizado, sem restrições ou condicionamentos.

A proposta original condicionava operações conjuntas entre as polícias federal e estaduais à solicitação do governador do estado, gerando críticas e preocupações sobre a possível limitação da atuação da PF. Embora o relator tenha recuado nessa exigência, o governo busca garantir que a PF possa atuar livremente, sem a necessidade de comunicação prévia aos estados.

Outro ponto de divergência se refere ao uso da Lei Antiterrorismo para punir membros de facções criminosas. O substitutivo do projeto de lei propõe a inclusão de penas mais severas para membros de facções criminosas nessa lei.

O governo, por sua vez, defende que o aumento das penas seja feito na Lei das Organizações Criminosas, buscando evitar interpretações que possam equiparar facções criminosas a grupos terroristas, o que poderia levar a interferências estrangeiras no Brasil. A preocupação é que essa equiparação possa prejudicar a imagem do país e afastar investimentos estrangeiros.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, enfatizou que as discussões estão em andamento para alcançar um texto que possa ser votado. Ele ressaltou a importância de preservar a autonomia da Polícia Federal e de encontrar uma solução para o tema da Lei Antiterrorismo que atenda aos interesses do país.

Enquanto isso, o relator do projeto, deputado Guilherme Derrite, argumenta que o projeto não classificaria as facções como terroristas “em sentido estrito”, afastando o risco de interferência estrangeira. No entanto, essa justificativa não convence o governo, que teme que a equiparação entre crime organizado e terrorismo possa gerar interpretações equivocadas e prejudicar a imagem do Brasil no exterior.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br