Em meio às celebrações do Dia da Consciência Negra, que marca a memória de Zumbi dos Palmares, o presidente da Fundação Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, destaca progressos significativos na busca por igualdade racial no Brasil ao longo das últimas seis décadas. Segundo Rodrigues, as lutas do movimento negro, impulsionadas por líderes como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez, pavimentaram o caminho para uma sociedade mais democrática.
Apesar dos avanços, Rodrigues alerta que o cenário atual ainda não é o ideal. Ele reconhece conquistas importantes, como a implementação de cotas raciais, a criação do Ministério da Igualdade Racial e a proteção dos territórios quilombolas demarcados, mas ressalta a persistência de desafios significativos.
Rodrigues compara o racismo brasileiro com o de outros países, como Estados Unidos, África do Sul, Índia e Austrália, enfatizando seu caráter sistêmico, sofisticado e contínuo. Ele descreve o racismo no Brasil como um “crime continuado, sofisticado e permanente”, que busca impedir que a população negra desfrute plenamente dos direitos conquistados. Rodrigues cita as chacinas no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo como exemplos trágicos da violência direcionada à população negra.
O presidente da Fundação Palmares também destaca o papel da instituição na proteção e valorização da Serra da Barriga, local do Quilombo dos Palmares, em Alagoas. O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, situado na Serra da Barriga, é um espaço dedicado à memória, resistência e cultura afro-brasileira. Rodrigues lamenta que, entre 2018 e 2022, a Fundação tenha interrompido as atividades celebrativas do Dia da Consciência Negra na Serra da Barriga. A transformação do Dia da Consciência Negra em feriado nacional, por iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e das ministras Anielle Franco e Margareth Menezes, é vista como um passo importante para promover a justiça e a igualdade de oportunidades.
Rodrigues enfatiza que a população negra brasileira, a terceira maior do mundo, com 113 milhões de pessoas, tem direito a reparações históricas. Ele reconhece que essas reparações estão em curso, mas não na velocidade desejada. Ele também destaca melhorias na preservação e acesso ao quilombo histórico da Serra da Barriga, facilitando o acesso de visitantes brasileiros e estrangeiros à sua história e significado.
Larissa Santiago, secretária-executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), compartilha a visão de que houve avanços na igualdade racial no Brasil. Ela destaca a crescente clareza e amplitude do debate sobre o tema, impulsionado pelas políticas de educação, como a consolidação das leis de cotas nas universidades e a ampliação das cotas no serviço público, aumentando a presença de pessoas negras em universidades e cursos federais e técnicos.
Santiago reconhece que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos, como garantir acesso à saúde plena e segurança pública para toda a população, especialmente em um país de dimensões continentais com uma população negra amplamente distribuída. Ela ressalta a importância de abordar a igualdade racial de forma transversal nas diferentes áreas das políticas públicas, com foco especial em saúde e segurança, para alcançar a população mais vulnerável.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
