© Tomaz Silva/Agência Brasil
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No coração da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, o monumento a Zumbi dos Palmares se tornou palco de celebrações marcantes do Dia da Consciência Negra. Música e dança embalaram a manhã, reunindo ativistas e membros da comunidade negra.

Em meio às festividades, a culinária afro-brasileira ganhou destaque em um buffet que materializava o conceito de “economia preta”, defendido pela empreendedora Carol Paixão. Essa abordagem, também conhecida como black money, busca fortalecer a comunidade negra, incentivando a circulação de capital entre seus membros.

“É uma economia que bebe da africanidade”, resume Paixão, proprietária do Império Kush, um estabelecimento no centro do Rio que faz referência a um antigo império africano. Segundo ela, o conceito se estende a parcerias com outros empreendimentos, priorizando aqueles que também são liderados por pessoas negras.

Dados do IBGE apontam que pessoas pretas e pardas enfrentam maiores taxas de desemprego, salários inferiores e informalidade no mercado de trabalho.

O presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), Luiz Eduardo Oliveira, conhecido como Negrogun, ressaltou a importância da persistência nas manifestações em homenagem a Zumbi, destacando a necessidade urgente de reparação pelos danos causados por mais de 300 anos de escravidão.

A reparação também é uma demanda constante das comunidades quilombolas. De acordo com o Censo do IBGE de 2022, o Brasil possui 1,3 milhão de quilombolas, representando 0,65% da população, com oito em cada dez vivendo em condições precárias de saneamento básico. Bia Nunes, presidente da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj), enfatizou a resistência histórica dessas comunidades, que lutam pela preservação de seus territórios e da biodiversidade do país.

O escritor e ativista Gê Coelho estabeleceu um paralelo entre a resistência dos quilombos e a das favelas, que segundo ele, representam uma luta contra a opressão estatal. Coelho defende a criação de universidades dentro das favelas para que a população local possa contar sua própria história. Dados do IBGE mostram que, embora pretos e pardos representem 55,5% da população brasileira, eles constituem 72,9% dos moradores de favelas.

Durante o evento, o deputado federal Reimont (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, defendeu que o combate ao racismo é uma responsabilidade de todos, não apenas da população negra.

Rose Cipriano, coordenadora do Comitê Estadual da Segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, aproveitou a ocasião para convidar a população para a manifestação em Brasília, que tem como objetivo lutar por reparação e melhores condições de vida para as mulheres negras.

O evento também contou com o tradicional cortejo de Tia Ciata, que desfilou pelas ruas do centro do Rio, reunindo milhares de pessoas em uma celebração da cultura afrodescendente. O cônsul-geral de Angola no Rio de Janeiro, Mateus de Sá Miranda Neto, destacou a importância do mês de novembro para Angola, país de origem de muitos dos africanos escravizados que vieram para o Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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