Artistas, pesquisadores e grupos de tradições culturais do Brasil e da França se reúnem no Rio de Janeiro para uma série de debates e apresentações focadas em artes cênicas e saberes ancestrais. O evento, que ocorre entre os dias 22 e 27 de novembro, integra a Caravana África Diversa e marca as comemorações dos 200 anos de amizade franco-brasileira, além de celebrar os 20 anos da primeira Temporada Brasileira na França.
A edição de 2025 da Caravana acontece em diversos espaços culturais da cidade, incluindo o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Iphan, os teatros Cacilda Becker e Dulcina, a BiblioMaison e o Museu de Arte do Rio (MAR).
O evento teve início em Nantes, na França, no começo de novembro. A idealizadora e curadora da Caravana África Diversa, Daniele Ramalho, destaca a importância de ocupar tanto espaços oficiais quanto locais menos convencionais, buscando alcançar toda a cidade, marcada pela herança da escravidão. Segundo ela, o Rio de Janeiro carrega essa história africana e sua contribuição para a formação da sociedade.
A programação diversificada inclui a participação da Capitã Pedrina, guardiã da tradicional festa Reinado de Nossa Senhora do Rosário, e do pesquisador Benjamin Abras, especialista em arte da performance. O ator, diretor e griô Hassane Kouyaté, de Burkina Faso, é o curador convidado desta edição.
Daniele Ramalho ressalta a relevância das mulheres griôs, como a Capitã Pedrina, que têm um papel fundamental na transmissão de saberes ancestrais. Para a Capitã Pedrina, essas iniciativas são ações afirmativas que promovem um novo olhar sobre os modos de vida das sociedades.
Benjamin Abras apresentará três “oferendas” durante a Caravana: o Masimba, um solo de dança teatro performativo; uma oficina; e uma performance de afro butô no Museu de Arte do Rio. Ele enfatiza que o Brasil, com sua vasta extensão territorial, abriga tradições ainda pouco conhecidas entre si. Abras acredita que a Caravana África Diversa proporcionará encontros valiosos entre representantes dessas tradições, promovendo um diálogo de empoderamento mútuo.
A curadora Daniele Ramalho trabalha com esculturas populares brasileiras, cultura indígena e referências afro-brasileiras desde os anos 2000. Ela destaca a importância de mestres como o griô Sotigui Kouyaté, de Burkina Faso, que influenciaram sua visão sobre a vida e a relevância da oralidade, do imaterial e do sagrado.
A programação da Caravana África Diversa em 2025 conta com apoio do Ministério da Cultura e da Petrobras, integrando o Ano do Brasil na França e o Ano da França no Brasil. As atividades desta edição serão reunidas em uma revista, com patrocínio da Petrobras por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

