© Joédson Alves/Agência Brasil
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Histórias de superação e a importância da informação como ferramenta para romper o ciclo da violência doméstica serão exibidas em um novo programa. O foco são mulheres que, através de acolhimento, oportunidades e apoio, conseguiram reconstruir suas vidas após anos de agressões.

Uma das histórias é a de Vanusa Pereira, que viveu 17 anos em um relacionamento abusivo. Após 12 anos de convivência, a violência escalou de agressões verbais a físicas, com o uso de objetos. Vanusa relata a vergonha que sentiu ao procurar ajuda policial, mas enfatiza a necessidade da denúncia. A fuga do agressor, com o auxílio da sogra e vizinhos, marcou o fim do ciclo de violência.

Carollyna Oliveira também compartilha sua experiência, revelando que as agressões do ex-companheiro começaram durante a gravidez. Ela descreve um padrão de violência crescente, inicialmente com empurrões e puxões de cabelo, que se intensificaram ao longo do tempo.

Antes de procurar a polícia, Carollyna buscou orientação no Ligue 180, um serviço público de atendimento à violência contra a mulher, disponível 24 horas por dia. O Ligue 180 oferece informações sobre leis, direitos, serviços de atendimento e registra denúncias.

Entre janeiro e outubro de 2025, o Ligue 180 realizou mais de 870 mil atendimentos via telefone, WhatsApp, e-mail e videochamadas em Libras. A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen dos Santos Costa, ressalta a importância do serviço como um canal especializado de escuta e acolhimento. Ela explica que o serviço identifica os sinais de violência, informa as vítimas sobre seus direitos e indica os caminhos para romper o ciclo de agressão.

O Ligue 180 integra uma rede de proteção à mulher, que inclui a Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referência, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam) e Defensorias Públicas. A Casa da Mulher Brasileira reúne diversos serviços de proteção em um único local. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, informa que o país tem 11 unidades em funcionamento e a meta é alcançar 42 até o final de 2026.

No Distrito Federal, a cabeleireira Rutiely Santos, conhecida como Morena, encontrou apoio em um desses espaços ao se separar do marido e se ver sem moradia e renda, com três filhos pequenos. Ela viu no curso oferecido uma oportunidade de aprender uma nova habilidade e sustentar a família. Atualmente, Rutiely possui um salão de beleza com a irmã e vive uma vida melhor.

Para Renata Gil, conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a informação é fundamental. Ela destaca a importância de conectar o conhecimento da Lei Maria da Penha à identificação de situações de violência vivenciadas no cotidiano.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br