O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante um evento na capital paulista para o lançamento do seu livro 'Capitalismo Superindustrial', fez uma análise sobre a relação da classe dominante brasileira com o Estado. Ele afirmou que a classe dominante enxerga o Estado como algo pertencente a ela, e não como um bem comum. Haddad destacou que, historicamente, o Estado foi entregue aos fazendeiros como uma indenização pela abolição da escravidão, o que influenciou a estrutura de poder no país.
Movimento republicano e as Forças Armadas
Haddad contextualizou o surgimento do movimento republicano no Brasil, que teve início em 1888, um dia após a assinatura da Lei Áurea. Ele ressaltou que esse movimento foi vitorioso, resultando na substituição da classe dirigente por uma classe dominante que, desde então, administra o Estado como se fosse seu. O ministro também mencionou a influência das Forças Armadas nesse contexto, destacando que qualquer tentativa de questionar essa estrutura de poder é prontamente reprimida, o que contribui para a fragilidade da democracia no país.
Lançamento do livro 'Capitalismo Superindustrial'
Durante o evento de lançamento do seu livro, Haddad discutiu os processos que levaram ao atual modelo global do que ele chama de capitalismo superindustrial. O ministro abordou temas como a acumulação primitiva de capital, a incorporação do conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe. Ele alertou que a desigualdade tende a aumentar, ressaltando que o estado pode mitigar os efeitos do desenvolvimento capitalista, mas, deixada à própria sorte, a dinâmica leva a uma desigualdade absoluta e contraditória.
Processos no Oriente e a ascensão da China
O livro de Haddad também aborda estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético, realizados nas décadas de 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados. Ele destacou os desafios impostos pela ascensão da China como potência global e a análise dos processos no Oriente em relação à acumulação primitiva de capital. Haddad ressaltou que, ao contrário do que ocorreu na América e no Leste Europeu, as revoluções no Oriente foram antissistêmicas e antiimperialistas, levando a uma contradição entre os objetivos internos e externos desses processos.
