Ter algo gelado para beber no meio de um bloco de carnaval sob o sol escaldante na cidade do Rio de Janeiro pode ser um alívio. Os responsáveis por vender as bebidas em meio a multidões são os ambulantes, que circulam pela folia.
Condições precárias dos ambulantes
Esses trabalhadores enfrentam condições precárias para se manterem horas sob o sol, longas jornadas e cuidar dos próprios filhos durante os dias de feriado. Sem escolas abertas e sem apoio de outros cuidadores, a solução de muitos é levar as crianças junto com o isopor.
Desafios de mães ambulantes
Taís Aparecida Epifânio Lopes, moradora da favela do Arará, na Zona Norte, leva sua filha de 4 anos para vender bebidas nos blocos da Zona Sul. Ela destaca a necessidade de garantir a subsistência de sua família e a segurança da filha, já que o filho mais velho fica em casa, preocupando-se com a violência na comunidade.
Lílian Conceição Santos, no centro da cidade, também enfrenta o desafio de cuidar dos filhos enquanto trabalha na barraca de vendas durante o carnaval.
Apoio necessário
O carnaval representa o maior faturamento do ano para os ambulantes, sendo considerado o décimo terceiro salário. O Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência cobra apoio do poder público para instalação de espaços de convivência para as crianças e para as mães descansarem, tanto de dia quanto de noite, em áreas centrais e próximas aos grandes blocos.
Iniciativas em andamento
Em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a 1ª Vara da Infância e da Juventude e a prefeitura, o Movimento Elas por Elas conseguiu um espaço para deixar as crianças à noite, nas noites de desfiles. Neste local, as crianças têm atividades lúdicas, descanso, banho, refeições e dormem confortavelmente enquanto os pais trabalham nas vendas.
Ampliação do horário
As mães ambulantes estão lutando para ampliar o horário de atendimento, visando atender às que trabalham também de manhã. A iniciativa foi bem recebida, trazendo alívio e segurança para as mães e seus filhos.
Depoimentos positivos
Mães como Taís e Luna elogiaram a iniciativa, destacando a importância e o conforto que proporciona para suas famílias. Taís relatou a satisfação da filha ao participar das atividades no espaço, enquanto Luna ressaltou a comodidade de ter os filhos bem cuidados enquanto trabalha.
Lílian, que atua no Largo da Carioca, expressou o desejo de ter esse tipo de suporte mais próximo de seu local de trabalho, facilitando o cuidado das crianças.

