O empresário Paulo Camisotti, convocado como testemunha do esquema criminoso de desvio de bilhões de reais do INSS, permaneceu em silêncio durante seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada nesta quinta-feira (26).
Histórico e investigação
Paulo Camisotti, de 33 anos, é apontado como dirigente de mais de 20 empresas investigadas na Operação Sem Desconto. Ele é filho e sócio de Maurício Camisotti, também empresário e atualmente preso sob acusações relacionadas ao esquema de fraude contra segurados do INSS em todo o país.
Silêncio no depoimento
Amparado por um habeas corpus e orientado por seu advogado, Paulo Camisotti optou por exercer seu direito constitucional de permanecer em silêncio diante das perguntas que poderiam incriminá-lo. Ao ser questionado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, o empresário confirmou apenas sua posição como presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e sua relação familiar com Maurício Camisotti, omitindo outras informações, inclusive sobre processos judiciais.
Acusações e denúncias
Durante o interrogatório, Alfredo Gaspar apontou que as empresas da família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, com grande parte do valor beneficiando diretamente Maurício Camisotti. O relator destacou a atuação da família no desvio de recursos do INSS, mencionando que associações controladas por eles receberam milhões em descontos associativos por serviços não prestados.
Detalhes das acusações
Gaspar ressaltou que a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) recebeu quase R$ 500 milhões em descontos indevidos. Ele apontou que a diretoria da Ambec era composta por pessoas com laços familiares com os Camisotti ou ligadas às empresas da família. O relator também mencionou o envolvimento do lobista conhecido como Careca do INSS e sua ligação com a Ambec.
Conclusão
Diante das acusações graves feitas durante a audiência, Paulo Camisotti optou por manter o silêncio, sem se manifestar sobre as denúncias apresentadas. A CPMI do INSS segue investigando o caso e buscando esclarecer o envolvimento do empresário e de sua família no esquema de desvio de recursos destinados a aposentados e pensionistas, em um cenário de corrupção que impactou milhões de brasileiros.

