© Alessandra Cabral/CPB
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A Paralimpíada de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália, chega ao seu ponto culminante neste domingo (15), com o Brasil focado em adicionar mais um feito histórico ao seu currículo. As atenções se voltam para a prova de 20 quilômetros do esqui cross-country, em Tesero, que terá início às 5h (horário de Brasília) e contará com a participação de seis atletas brasileiros, alimentando a esperança de uma segunda medalha em sua trajetória paralímpica de inverno.

Cristian Ribera: Em Busca de Mais um Pódio Histórico

O principal nome brasileiro em evidência é Cristian Ribera, atleta que já gravou seu nome na história do esporte ao conquistar a primeira medalha paralímpica de inverno do país – uma prata no sprint (1 km) para esquiadores sentados. Natural de Rondônia e radicado em Jundiaí (SP), Ribera, que nasceu com artrogripose, almeja agora uma segunda condecoração nos 20 km. Ele tem um histórico promissor nessa distância, tendo garantido o bronze no Mundial de Toblach, na Itália, no ano passado. Em depoimento ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o esquiador destacou a preparação: “Já estudamos os tempos dos dez melhores para podermos chegar firmes e fortes nas primeiras colocações. O esporte é individual, mas tem uma equipe enorme trabalhando e é por isso que a gente está evoluindo.”

O Desempenho Recorde no Revezamento

A equipe brasileira demonstrou seu potencial no sábado (14) ao participar do revezamento do esqui cross-country. Composta por Cristian Ribera, a paranaense Aline Rocha e o paulista Wellington da Silva, o trio alcançou a sétima colocação entre dez equipes, marcando o melhor resultado do Brasil na história da prova, com um tempo de 27min00s5. A prova, que usualmente é disputada por quatro atletas, viu Wellington – único esquiador brasileiro classificado aos Jogos que compete de pé (standing) e possui má-formação congênita no antebraço esquerdo – percorrer dois trechos de 2,5 km, suprindo a ausência de um quarto integrante. Wellington comentou sobre o esforço: “Hoje não senti tanto a respiração, foi mais dor física, principalmente nas pernas. Gostei da prova.” A melhoria do desempenho no revezamento foi ressaltada por Aline Rocha, paraplégica devido a um acidente automobilístico, que afirmou: “Antes, a gente fazia meio de brincadeira, sempre chegava em último. Com o Wellington no standing, as coisas melhoraram.”

Aline Rocha e Outras Promessas Brasileiras

Além de Cristian Ribera, Aline Rocha surge como outra forte candidata a um pódio na prova deste domingo. A paranaense possui um bronze nos 18 km conquistado no Mundial de Ostersund, na Suécia, em 2023, uma prova que antecedeu a dos 20 km no programa daquele evento. Essa performance a posiciona como uma das esperanças mais consistentes para a equipe. Juntamente com Cristian e Aline, os paulistas Guilherme Rocha e Elena Sena, e o paraibano Robelson Lula também estarão na disputa, buscando surpreender e lutar por medalhas neste último e emocionante dia de competições.

O Encerramento e o Legado de Milão-Cortina

À medida que as provas de esqui cross-country chegam ao fim, a Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina se prepara para sua cerimônia de encerramento. O evento, que será realizado em Cortina d'Ampezzo – cidade que sediou as provas de snowboard – a partir das 16h30, marcará o fechamento de uma edição memorável para o Brasil. A participação da delegação brasileira, com um pódio já garantido e a ambição por outro, reforça o crescimento e a dedicação dos atletas paralímpicos de inverno do país, pavimentando o caminho para futuras gerações e solidificando o Brasil como um competidor cada vez mais relevante no cenário internacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br