A Justiça baiana converteu a prisão em flagrante de Emile Quessia Oliveira, esposa de Pedro Vitor Lima Sena Júnior – apontado como o mandante de um sequestro ocorrido no estacionamento do Salvador Shopping – em prisão preventiva. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (18), marcando um avanço significativo nas investigações sobre o grave incidente que aterrorizou a capital baiana no último domingo (15).
Detalhes do Crime e a Decisão Judicial
O sequestro teve como vítimas uma idosa de 77 anos e suas duas filhas, que foram mantidas em cativeiro por aproximadamente 12 horas. Emile Quessia foi detida na segunda-feira (16) durante o processo de liberação das reféns. Em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, a solicitação de prisão domiciliar para a acusada foi negada, culminando na decretação de sua prisão preventiva, fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública e a continuidade das investigações.
Conexões Criminosas e Histórico da Acusada
Emile Quessia, que em suas redes sociais se descreve como cristã, 'mãe de pet' e empreendedora, é investigada por sua atuação como integrante do núcleo financeiro de uma facção criminosa. Apurações da TV Bahia revelam que ela já figura como ré em um processo datado de 2015 na Justiça da Bahia, com acusações que incluem organização criminosa, tráfico de drogas e homicídio. Essa informação contrasta fortemente com a imagem pública que ela tentava projetar.
Seu marido, Pedro Vitor Lima Sena Júnior, já se encontra detido na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, e possui um extenso histórico criminal, respondendo por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, roubo e homicídio. A ligação entre o casal e a estrutura do grupo criminoso é um dos focos centrais da investigação.
O Envolvimento Direto de Emile no Sequestro
As evidências que levaram à prisão preventiva de Emile Quessia são substanciais. Durante o cativeiro, as vítimas foram coagidas a realizar diversas transferências bancárias, sob a ameaça de armas de fogo. Uma das transações, no valor de R$ 50 mil, foi tentada para a conta de Emile Quessia, o que alertou as autoridades. Ao ser abordada pela Polícia Civil em sua residência, a mulher tentou se desfazer de seu aparelho celular e inicialmente negou qualquer participação. Contudo, posteriormente, acabou por indicar o possível envolvimento de seu esposo no crime.
O depoimento das vítimas corroborou o papel ativo da acusada. Elas relataram que, durante o sequestro, os criminosos realizaram chamadas de vídeo com duas pessoas, sendo uma delas uma mulher parda, de cabelos pretos e longos, identificada posteriormente como Emile Quessia. As reféns confirmaram que a mulher transmitia ordens diretas aos sequestradores, incluindo a exigência de um Pix de R$ 10 mil para sua própria conta. Um homem permaneceu em silêncio durante as mesmas chamadas.
A Negociação para a Liberação das Vítimas
A cooperação de Emile Quessia foi crucial para a liberação das vítimas. A pedido da polícia, ela realizou uma chamada de vídeo para seu marido, Pedro Vitor, que atendeu a ligação de dentro de sua cela na penitenciária. Ciente da detenção de sua esposa, Pedro Vitor aceitou negociar a soltura das reféns com os policiais, fornecendo em seguida a localização exata do cativeiro. Esse episódio revelou a capacidade do mandante de coordenar ações criminosas mesmo estando encarcerado, utilizando o mesmo aparelho telefônico para se comunicar com outros membros da organização.
Continuidade das Investigações
A Polícia Civil segue empenhada na elucidação completa do caso. Até o momento, além de Emile Quessia e Pedro Vitor, nenhum dos outros envolvidos no sequestro foi preso. As investigações prosseguem para identificar e capturar os demais criminosos que participaram diretamente da ação, buscando desarticular totalmente o grupo responsável por este grave ato.
Fonte: https://g1.globo.com
