© Antônio Cruz/ Agência Brasil/Arquivo
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O governo federal anunciou um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, uma medida de contenção fiscal que busca alinhar as despesas públicas com a arrecadação prevista. A decisão, detalhada em novo decreto de programação orçamentária e financeira para o primeiro bimestre, visa garantir a saúde das contas públicas e o cumprimento das metas fiscais. Em meio a esses ajustes, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi explicitamente preservado dos cortes, garantindo a continuidade de seus investimentos.

Composição e Impacto do Congelamento de Recursos

Do montante total congelado, a maior parte, equivalente a R$ 1,26 bilhão, recai sobre despesas discricionárias do Poder Executivo, classificadas como RP2. Essa categoria de gastos abrange verbas não obrigatórias e, conforme anunciado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, exclui especificamente os investimentos do PAC, demonstrando a prioridade dada a este programa de infraestrutura. Os R$ 334 milhões restantes afetam as emendas parlamentares, cuja distribuição dos cortes seguirá a regulamentação estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, abrangendo inclusive as emendas impositivas.

Ajuste Fiscal Adicional: O Mecanismo de Faseamento de Empenho

Além do bloqueio direto de recursos, o decreto introduz ou mantém um importante mecanismo de ajuste: o faseamento de empenho. Essa estratégia limita a autorização de despesas ao longo do ano, impondo uma restrição de até R$ 42,9 bilhões nos gastos discricionários federais até novembro. O principal objetivo é assegurar que a execução orçamentária esteja em sintonia com a capacidade de arrecadação do governo, prevenindo desequilíbrios nas finanças públicas. Os limites de empenho serão liberados em etapas programadas para maio, novembro e dezembro, permitindo uma gestão mais controlada e flexível do Orçamento conforme as reavaliações fiscais do período.

Distribuição Setorial dos Cortes no Poder Executivo

A distribuição do bloqueio de R$ 1,26 bilhão entre os órgãos do Poder Executivo revela um impacto concentrado em algumas pastas. O Ministério dos Transportes figura como o mais afetado, com um corte de R$ 476,7 milhões. Outros ministérios e agências com relevância para infraestrutura e desenvolvimento também registraram reduções significativas, como o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (R$ 131 milhões), o Ministério da Agricultura e Pecuária (R$ 124,1 milhões) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (R$ 101 milhões). Por outro lado, setores essenciais como Saúde e Educação sofreram um impacto praticamente nulo neste primeiro ciclo de bloqueio, preservando suas atividades fundamentais.

Monitoramento Contínuo e Próximos Passos

A execução orçamentária permanecerá sob um regime de monitoramento contínuo por parte do governo, o que possibilita a realização de novos ajustes ao longo do ano, caso sejam identificadas necessidades adicionais para assegurar o cumprimento da meta fiscal de 2026. Os órgãos federais foram instruídos a indicar, até o dia 7 de abril, quais programações específicas serão efetivamente bloqueadas em suas respectivas alçadas. Para as emendas parlamentares, o processo de corte será guiado por regras específicas já estabelecidas na legislação vigente, garantindo transparência e conformidade legal ao processo de contenção.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br