© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Arraial do Cabo, com suas águas cristalinas e rica biodiversidade marinha, é um santuário para diversas espécies de tartarugas. No entanto, um mistério paira sobre a presença dessas majestosas criaturas: de onde elas realmente vêm? Para responder a essa intrigante questão, o Projeto Costão Rochoso, uma iniciativa da Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento com o apoio da Petrobras, embarcou em uma pesquisa pioneira.

Projeto Costão Rochoso: Monitoramento e Preservação

A pesquisa se concentra na Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, um ecossistema vital para a vida marinha. Longe de práticas predatórias, o trabalho envolve a captura cuidadosa de tartarugas marinhas para um completo monitoramento de saúde. Este procedimento, que inclui pesagem, medição e coleta de amostras de tecido, é análogo a uma biópsia, permitindo aos cientistas coletar dados cruciais para a preservação e recuperação dos costões rochosos, zonas de transição entre o ambiente marinho e terrestre.

O Desafio da Origem: Uma Análise Genética Detalhada

Arraial do Cabo destaca-se por abrigar a maior concentração de tartarugas-verdes em áreas de alimentação no Brasil, além de ser o lar de todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no país. Apesar da abundância, a origem dessas tartarugas permanece um enigma. A coleta de DNA, realizada em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), é a chave para desvendar essa incógnita. As análises genéticas, com previsão de resultados em até seis meses, permitirão traçar a rota migratória e identificar os estoques populacionais que dependem dessa área.

Com uma expectativa de vida que pode ultrapassar os 75 anos, as tartarugas marinhas passam uma parte significativa de suas vidas em Arraial do Cabo. Os dados preliminares indicam que muitas chegam ainda jovens, com cerca de 25 centímetros, após uma fase oceânica de pelo menos cinco anos. O litoral fluminense oferece um ambiente propício para seu crescimento e desenvolvimento, com ampla oferta de alimento que contribui para seu ganho de peso.

Identificação Individual e Saúde das Espécies

O monitoramento abrange as tartarugas-verdes e tartarugas-pente em locais estratégicos como a Praia dos Anjos, Praia Grande, Praia do Pontal e a Ilha de Cabo Frio. Além das medições físicas detalhadas, que incluem até mesmo as unhas, os pesquisadores empregam técnicas de identificação visual. Fotografias da cabeça de cada tartaruga, que possui padrões de placas únicas como uma impressão digital, são catalogadas e analisadas por softwares específicos. Desde 2018, aproximadamente 500 indivíduos foram registrados, com 80 deles passando pela coleta de DNA.

A Importância da Consciência e do Respeito à Vida Marinha

Paralelamente à pesquisa científica, o Projeto Costão Rochoso aborda um tema de grande relevância: a interação humana com as tartarugas. A bióloga Juliana Fonseca ressalta que o fascínio que esses animais despertam pode, infelizmente, levar a comportamentos prejudiciais, como o assédio e a remoção indevida das tartarugas da água. Tais ações causam estresse significativo aos animais, evidenciando a necessidade de conscientização e práticas de observação responsáveis para garantir a segurança e o bem-estar dessas espécies.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br