© Fernando Donasci/MMA
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Um relatório recente da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), divulgado em Paris, sublinha o papel crucial de seus sítios protegidos na salvaguarda do meio ambiente e no bem-estar das populações globais. Esses locais, que abrangem Patrimônios Mundiais, Reservas da Biosfera e Geoparques Mundiais, demonstram uma capacidade notável de preservar a biodiversidade e oferecer estabilidade em um cenário de crescentes desafios ambientais.

Contribuições Essenciais dos Sítios UNESCO

O relatório ‘Comunidades e natureza nos Sítios da UNESCO: contribuições locais e globais’ revela que esses mais de 2.260 sítios, cobrindo uma área superior a 13 milhões de quilômetros quadrados, são verdadeiros santuários para a vida no planeta. Eles abrigam mais de 60% das espécies mapeadas globalmente, com uma parcela significativa – cerca de 40% – sendo endêmicas, ou seja, não encontradas em nenhum outro lugar.

Exemplos Notáveis no Brasil

No Brasil, exemplos proeminentes como o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional de Iguaçu, ambos reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO, ilustram a riqueza e a importância desses ecossistemas. Os Lençóis Maranhenses, por exemplo, são um refúgio para uma vasta biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas de extinção como o guará e a lontra-neotropical.

Estabilidade em Meio à Crise

Um dos achados mais significativos do relatório é que, enquanto as populações de animais selvagens diminuíram drasticamente em escala global, aquelas localizadas em sítios protegidos pela UNESCO mantiveram-se notavelmente estáveis. Essa resiliência destaca a eficácia das áreas de conservação na manutenção de ecossistemas saudáveis.

O Papel dos Sítios na Mitigação das Mudanças Climáticas

Além de sua importância para a biodiversidade, os sítios da UNESCO desempenham um papel vital no sequestro de carbono. Eles armazenam aproximadamente 240 gigatoneladas de carbono, uma quantidade colossal que, se liberada, representaria quase duas décadas de emissões globais. Anualmente, as florestas dentro desses sítios absorvem cerca de 15% do carbono capturado por florestas em todo o mundo, atuando como importantes sumidouros naturais.

Ameaças Crescentes e a Necessidade de Ação

Apesar de sua relevância global, esses sítios enfrentam pressões crescentes. Quase 90% deles estão sujeitos a altos níveis de estresse ambiental, com riscos climáticos aumentando 40% na última década. O relatório alerta que, sem ações robustas, mais de um quarto dos sítios da UNESCO poderá atingir pontos de inflexão irreversíveis até 2050, com consequências graves como o desaparecimento de geleiras e o colapso de recifes de coral.

Um Chamado Urgente para a Proteção

O diretor-geral da UNESCO, Khaled El-Enany, enfatiza que os sítios protegidos são ativos estratégicos para enfrentar a mudança climática e a perda de biodiversidade. Ele ressalta a profunda conexão entre natureza e comunidades nesses locais, que abrigam cerca de 900 milhões de pessoas. O documento serve como um alerta e um chamado à ação para priorizar a proteção desses ecossistemas, culturas e modos de vida, garantindo um legado para as futuras gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br