© Joédson Alves/Agência Brasil
Compartilhe essa Matéria

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lançou um alerta sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul. O período concentra-se, especialmente, na variante K do vírus Influenza H3N2, responsável por uma gripe com transmissão mais prolongada.

A variante K do Influenza e seu impacto sazonal

Identificada pela primeira vez no ano passado, a variante K do vírus Influenza H3N2 foi predominante durante o inverno do Hemisfério Norte. No Brasil, o subclado K foi detectado em dezembro de 2025 e, embora não seja mais grave que outras variantes, está associado a temporadas mais longas de transmissão.

De acordo com o alerta epidemiológico publicado pela Opas, a atividade da Influenza permanece baixa, mas já apresenta sinais iniciais de crescimento em diversos países, com predominância do vírus A(H3N2). “O cenário na América do Sul é consistente com o início gradual da temporada de inverno”, informou a organização.

VSR e a pressão sobre os serviços de saúde

Além do Influenza, a circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) está aumentando gradualmente em vários países, incluindo o Brasil. A Opas destaca que esse avanço antecipa o padrão sazonal típico, com potencial impacto significativo na carga de doença em crianças pequenas e grupos de risco nas próximas semanas.

Combase no que ocorreu durante o inverno nos países do Hemisfério Norte, a Opas adverte que as nações do Sul devem se preparar não apenas para uma temporada de alta intensidade, mas especialmente para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos, o que pode testar a capacidade de resposta dos serviços de saúde.

Números da vigilância no Brasil

No Brasil, a taxa de positividade para Influenza estava abaixo de 5% no primeiro trimestre, mas começou a subir no final de março, alcançando 7,4%. O Ministério da Saúde realiza o sequenciamento genético por amostragem para identificar as variantes mais circulantes. Dos 607 testes realizados até 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K.

Vacinação: a linha de defesa mais importante

A Opas recomenda que os países intensifiquem as ações de vacinação para prevenir internações e mortes. Mesmo com o surgimento da nova variante, a vacina contra a gripe demonstrou eficácia elevada no Hemisfério Norte, alcançando até 75% de proteção contra hospitalização de crianças no Reino Unido. A vacina aplicada no Brasil é atualizada anualmente para cobrir os tipos que mais circularam na temporada anterior.

Grupos prioritários da campanha nacional

A campanha nacional de vacinação contra a Influenza está em andamento com prioridade para populações mais vulneráveis a quadros graves:

• Crianças menores de 6 anos • Idosos • Gestantes • Pessoas com comorbidades • Trabalhadores da saúde • População indígena • Professores • Pessoas privadas de liberdade

O Sistema Único de Saúde também oferece a vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de imunizar recém-nascidos e protegê-los da bronquiolite, infecção pulmonar potencialmente grave.

Higiene e etiqueta respiratória como medidas complementares

A Opas reforça a importância de medidas simples de higiene para reduzir a transmissão de vírus respiratórios. Entre as recomendações estão:

• Lavagem frequente das mãos com água e sabão • Pessoas com febre devem evitar locais públicos e ambientes de trabalho • Crianças em idade escolar com sintomas respiratórios ou febre devem permanecer em casa

“Lavar as mãos é a forma mais eficiente de diminuir a transmissão”, destaca o documento da organização.

Boletim Infogripe confirma tendência de alta

A nova edição do Boletim Infogripe, publicada pela Fundação Oswaldo Cruz, confirma a avaliação da Opas. Os dados coletados entre 19 e 25 de abril mostram aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave causados por Influenza A e VSR em todas as regiões do país. Atualmente, 24 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta, risco ou alto risco para a síndrome, que ocorre quando há agravamento do quadro respiratório.

O cenário exige atenção redobrada tanto das autoridades de saúde quanto da população. A combinação de vírus respiratórios em circulação simultânea, somada à persistência de casos de Covid-19, pode sobrecarregar os serviços de saúde. Por isso, manter a vacinação em dia e seguir as medidas de higiene são atitudes essenciais para atravessar essa temporada com mais segurança.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br