© Volta Flaxeco/Unsplash
Compartilhe essa Matéria

No Brasil, enquanto muitos trabalhadores aproveitam o feriado de 1º de maio, o Dia do Trabalhador, uma categoria essencial se vê forçada a continuar suas atividades. As pessoas responsáveis pelo cuidado de crianças, idosos e pela manutenção do lar não têm descanso, mesmo em datas comemorativas. Este cenário evidencia a carga de trabalho que recai, predominantemente, sobre as mulheres.

Cuidado: Uma Função Predominantemente Feminina

Dados do IBGE revelam que as mulheres dedicam cerca de dez horas a mais por semana aos cuidados familiares e às tarefas domésticas em comparação aos homens. Segundo a professora Cibele Henriques, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, essa desigualdade é histórica e está enraizada em um discurso social que perpetua a ideia de que o cuidado é uma obrigação feminina.

O Impacto do Trabalho Não Pago

Cibele aponta que o trabalho de cuidado, frequentemente visto como um ato de amor, é, na verdade, um trabalho não remunerado que gera sobrecarga física e emocional para as mulheres. Essa dinâmica não apenas limita a saúde mental das cuidadoras, mas também perpetua um ciclo de exploração, onde o tempo e o esforço das mulheres são utilizados em benefício de outros, muitas vezes sem reconhecimento.

Desigualdade de Gênero no Cuidado

A acadêmica, que também é mãe, co-fundou o Observatório do Cuidado e o Fórum de Mães Atípicas, abordando a questão do cuidado sob uma perspectiva econômica. Ela destaca que, mesmo aquelas mulheres que possuem trabalho fora de casa, muitas vezes continuam a arcar com as responsabilidades do cuidado, tornando-se prisioneiras de uma rotina sem tempo para si mesmas.

Escala 7×0: A Realidade das Mulheres

A professora enfatiza que, enquanto se discute a carga horária de trabalho, as mulheres enfrentam uma verdadeira escala 7×0, especialmente aquelas de classes sociais mais baixas. Para elas, não há opção de delegar essas responsabilidades, o que acentua a pressão e a sobrecarga.

Construindo Obrigações desde a Infância

Cibele ressalta que essa divisão de responsabilidades começa na infância, com brincadeiras que reforçam a ideia de que as meninas devem ser cuidadoras. Essa socialização é reforçada por discursos que isentam os homens de responsabilidades no lar, perpetuando a desigualdade.

Reações a Mudanças Sociais

Recentemente, tem havido tentativas de reforçar o papel tradicional da mulher como cuidadora, em resposta ao crescente desejo da mulher moderna de não se limitar a esse papel. Cibele argumenta que a raiz dessa questão é econômica, pois a falta de oportunidades de trabalho para todos e a crescente escolarização das mulheres revelam uma necessidade urgente de repensar a dinâmica de gênero no contexto do cuidado.

Em suma, a discussão sobre o trabalho de cuidado vai além do reconhecimento das funções desempenhadas pelas mulheres; é um chamado para que a sociedade como um todo reexamine suas estruturas e práticas, buscando equidade e justiça social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Você Também Pode Gostar

Cultura anuncia datas para consultorias públicas da PNAB 2024 com a classe artística e agentes culturais em Osasco

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaA Secretaria de Cultura da Prefeitura de Osasco iniciará na…

Cidades de São Paulo registram diminuição de até 96% nos números de criminalidade com uso de totens de segurança

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaCotia, Diadema e São Vicente estão entre os municípios que…

Saúde convoca a população para dose de reforço contra a febre amarela

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaConfira a unidade de saúde mais próxima de sua residência…

Osasco abre canal de denuncias nos casos de dengue através do WhatsApp da Central 156

Compartilhe essa Matéria
Compartilhe essa MatériaOs moradores de Osasco agora têm à disposição uma opção…