© Lula Marques/Agência Brasil.
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Em uma votação simbólica realizada na quarta-feira, 6 de setembro, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de Lei 2780/24, que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). Esta iniciativa visa criar um comitê responsável pela definição dos minerais críticos e estratégicos no Brasil, além de implementar incentivos governamentais e facilitar o licenciamento de projetos do setor.

Principais Aspectos da Nova Política

O projeto, liderado pelo relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), não só visa a criação de um comitê vinculado ao Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE), mas também estabelece um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com um investimento inicial de R$ 2 bilhões da União. Esse fundo pode crescer até R$ 5 bilhões e destina-se a apoiar projetos considerados prioritários na exploração de minerais críticos.

Soberania e Estratégia Nacional

Durante as discussões, a questão da soberania nacional na exploração desses minerais estratégicos foi um ponto de destaque. Com reservas estimadas em 21 milhões de toneladas, o Brasil possui a segunda maior quantidade de terras raras do mundo, apenas atrás da China. Contudo, apenas 25% do território nacional foi mapeado, sugerindo um potencial significativo ainda inexplorado.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) expressou preocupações sobre a falta de garantias para assegurar o desenvolvimento nacional, sugerindo a necessidade de uma empresa estatal que gerencie a exploração desses recursos. Ela criticou a ausência de regras claras sobre a participação de capital estrangeiro, enfatizando a importância de definir até onde esse capital pode intervir nos interesses do Brasil.

Desafios e Oportunidades

A única mina de terras raras em operação no Brasil, a Serra Verde em Goiás, levantou questionamentos após ser adquirida pela mineradora norte-americana USA Rare Earth. A compra foi alvo de críticas por parte de deputados e do ministro do Desenvolvimento, que argumentaram que essa transação poderia comprometer a soberania nacional.

Por outro lado, o relator Arnaldo Jardim defendeu que o projeto fortalece a soberania ao limitar a exportação de minério bruto, promovendo uma transição do Brasil de mero exportador de matéria-prima para um país focado no desenvolvimento tecnológico.

Consulta a Comunidades Tradicionais

Em resposta às preocupações levantadas, o relator incorporou ao projeto a necessidade de consultas e consentimentos informados de povos e comunidades tradicionais afetados por projetos extrativos, em conformidade com a Convenção nº 169 da OIT. Essa medida busca garantir que as vozes dessas comunidades sejam ouvidas em decisões que impactam suas terras e modos de vida.

A aprovação do projeto representa um passo significativo para a política mineral brasileira, abordando questões de desenvolvimento, soberania e responsabilidade social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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