No dia 8 de maio de 2025, marcando o aniversário da segunda chacina na Favela Nova Brasília, o Instituto de Estudos da Religião (Iser) e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) divulgaram um sumário executivo que revisita os eventos trágicos de 1994 e 2025. Ambas as chacinas resultaram na morte de 13 pessoas cada, levantando questões críticas sobre a atuação da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Contexto Histórico das Chacinas
As duas chacinas ocorreram em um intervalo de sete meses, refletindo um padrão alarmante de violência policial. A primeira, em 18 de outubro de 1994, foi uma resposta a um ataque a uma delegacia, resultando em uma invasão da favela por mais de 50 policiais, que mataram indiscriminadamente, atingindo muitos moradores sem antecedentes criminais. A segunda chacina, em 8 de maio de 1995, foi caracterizada por uma alegação de combate ao tráfico de drogas, culminando em confrontos que resultaram na morte de vários jovens, muitos deles menores de idade.
Denúncia e Análise do Sumário Executivo
No sumário, as organizações enfatizam a importância de reconhecer os 30 anos de luta das famílias das vítimas, que enfrentaram um luto não apenas pela perda de seus entes queridos, mas também pela ausência de justiça. O documento critica a conjuntura atual da segurança pública no Rio de Janeiro, descrevendo uma política que perpetua a violência em comunidades marginalizadas.
Implicações da Violência de Estado
O coordenador do Iser, Lucas Matos, destaca que a violência de Estado contra a população negra e periférica é uma característica marcante da democracia brasileira. Ele também menciona a necessidade urgente de um plano de redução da letalidade policial e a importância de mecanismos de monitoramento social para garantir a responsabilidade das forças de segurança.
Conclusão
O sumário executivo não só revisita o passado das chacinas na Favela Nova Brasília, mas também serve como um apelo à transformação das políticas de segurança pública no Brasil. A construção de uma sociedade mais justa e democrática exige a cura das feridas sociais e a interrupção de práticas violentas que têm se tornado parte da estrutura do Estado.
