© Ricardo Stuckert / PR
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Na última quinta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um evento no Distrito Federal, onde concedeu 18 títulos de domínio a nove comunidades quilombolas localizadas em seis estados do Brasil. A cerimônia, que reuniu cerca de 500 mulheres quilombolas, foi organizada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombola (Conaq) e teve como foco a luta pela proteção territorial e justiça climática.

Importância da Regularização Fundiária

Os territórios quilombolas representam áreas ocupadas por comunidades formadas por descendentes de africanos escravizados, e sua titulação é uma forma de reconhecer e reparar injustiças históricas. As novas áreas regularizadas somam 11,6 mil hectares e beneficiarão aproximadamente 1.780 famílias, encerrando um longo processo de regularização fundiária.

Um Discurso de Esperança e Reconhecimento

Em seu discurso, Lula enfatizou a marginalização histórica do povo negro no Brasil, afirmando que a abolição da escravatura não trouxe as melhorias necessárias para a população negra. Ele destacou a importância de recuperar a igualdade racial como uma luta contínua e essencial.

Avanços e Desenvolvimentos Recentes

Com a entrega dos novos títulos, a gestão atual de Lula já emitiu um total de 74 títulos, abrangendo uma área de 93 mil hectares e beneficiando mais de 8.300 famílias. Isso representa aproximadamente 34% dos títulos quilombolas já emitidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desde sua criação.

Fomento ao Desenvolvimento das Comunidades

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, anunciou a liberação de R$ 19 milhões em créditos habitacionais para a comunidade Kalunga, incentivando a produção e a construção de moradias. Esses recursos visam apoiar o desenvolvimento sustentável nas comunidades quilombolas.

Próximas Etapas e Reconhecimento de Novos Territórios

Além da entrega de títulos, o governo avançou na regularização de outros territórios quilombolas, com a emissão de quatro decretos que beneficiarão 333 famílias em cerca de 897 hectares. Maria Rosalina dos Santos, coordenadora da Conaq, ressaltou que a titulação é uma forma de reparação histórica após séculos de opressão.

Novas Iniciativas e Estudos Territoriais

O Incra também anunciou a publicação de uma portaria de reconhecimento do território Porto Leocádio, que beneficiará 20 famílias em uma área de 1.500 hectares. Além disso, cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) serão lançados, abrangendo aproximadamente 800 famílias e 22 mil hectares.

Distribuição dos Novos Títulos Quilombolas

Os 18 novos títulos foram distribuídos entre os seguintes territórios:

– Kalunga do Mimoso (Arraias e Paranã/TO): 4 títulos, 250 famílias, 4.211 hectares; – Kalunga (Cavalcante, GO): 2 títulos, 888 famílias, 6.221 hectares; – Invernada dos Negros (SC): 5 títulos, 84 famílias, 111 hectares; – Charco/Juçaral (São Vicente Férrer/MA): 3 títulos, 137 famílias, 690 hectares; – Mel da Pedreira (Macapá/AP): 1 título, 14 famílias, 127 hectares; – Nova Batalhinha (Bom Jesus da Lapa/BA): 1 título, 20 famílias, 67 hectares.

Essas ações refletem um compromisso com a justiça social e a reparação histórica, promovendo o reconhecimento e a valorização das comunidades quilombolas no Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br