© Leticia de Maceno/Instituto Marielle Franco
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A participação feminina nas eleições para a Câmara dos Deputados no Brasil apresentou um crescimento significativo nas últimas décadas. Entre 1998 e 2022, o número de mulheres candidatas aumentou quase dez vezes, passando de 358 para 3.668. No entanto, essa ascensão não se refletiu proporcionalmente nas cadeiras ocupadas, que subiram de 29 para 90, resultando em um aumento de apenas 210%.

Dados Recentes sobre a Participação Feminina

Os dados revelados pelo Portal da Classe Política, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem) da Universidade Federal do Paraná, mostram que, nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram 17,5% das vagas na Câmara dos Deputados e 17,8% nas assembleias estaduais. Embora esses sejam os maiores percentuais já registrados, a representação ainda fica aquém do ideal, que seria a paridade de 50%.

Desigualdade nas Assembleias Legislativas

A situação nas assembleias estaduais é semelhante, com uma representação feminina em torno de 18%. Apesar de uma maior participação feminina ao longo da história, os números ainda estão distantes do mínimo de 30% estabelecido pela legislação brasileira para candidaturas. Esse cenário é resultado de fatores estruturais que afetam a presença das mulheres na política.

Fatores que Impedem a Maior Representatividade

A pesquisa do cientista político Nilton Sainz, da UFPR, identifica que as disparidades no acesso a recursos financeiros para campanhas são um dos principais obstáculos. As mulheres tendem a receber menos apoio financeiro, o que limita sua capacidade de competir em igualdade de condições com os homens. Além disso, há uma exclusão frequente das mulheres em posições decisórias dentro dos partidos, impactando diretamente sua visibilidade e acesso a tempo de televisão.

Candidaturas 'Laranjas' e Seus Efeitos

Outro desafio mencionado é a existência de candidaturas ‘laranjas’, que são aquelas que não têm viabilidade real de disputa, sendo apenas criadas para atender às cotas de gênero. Essa prática não apenas distorce a competição eleitoral, mas também diminui a eficácia das políticas de gênero.

Impactos da Baixa Representatividade Feminina

A sub-representação das mulheres no legislativo tem consequências diretas na agenda pública. Questões fundamentais como o combate à violência de gênero e políticas de saúde voltadas para as mulheres frequentemente não recebem a devida atenção, resultando em orçamentos reduzidos e falta de debate em pautas essenciais para a população feminina.

O Papel do Portal da Classe Política

O Portal da Classe Política não apenas fornece informações sobre candidaturas femininas, mas também apresenta dados abrangentes sobre as eleições no Brasil, permitindo uma análise mais crítica da participação política. Com dados estruturados de 14 eleições, a plataforma facilita a compreensão do perfil de candidatos, partidos e o financiamento de campanhas, promovendo maior transparência e auditabilidade no processo eleitoral.

Ao consolidar essas informações, o portal se torna uma ferramenta essencial para cidadãos e pesquisadores, aproximando dados antes considerados distantes e promovendo um debate mais informado sobre a representatividade na política brasileira.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br