Quase 45 anos após o desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, o governo brasileiro formalizou um pedido de desculpas públicas, reconhecendo a dor e a injustiça sofridas por ele e sua família durante o regime militar.
Cerimônia de Desculpas e Reconhecimento
O ato simbólico ocorreu na Universidade de Brasília (UnB), com a presença de familiares, colegas, membros da Comissão de Mortos e Desaparecidos e da Comissão de Anistia. O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania destacou que essa iniciativa busca reparar não apenas Paulo de Tarso e sua família, mas também toda a sociedade brasileira.
Histórico de Paulo de Tarso
Natural de Morrinhos (GO) e filho de um deputado cassado, Paulo de Tarso formou-se em Direito pela UnB em 1969. Militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), ele também se especializou na Universidade de Sorbonne, na França. Em 1995, a Lei 9.140 o reconheceu como morto, evidenciando o impacto da repressão estatal.
Circunstâncias do Desaparecimento
Paulo de Tarso desapareceu em 12 de julho de 1971, após ser capturado por agentes do DOI-CODI durante uma operação no Rio de Janeiro. Relatos de ex-presos políticos, como Inês Etienne Romeu, revelam que ele foi torturado em um centro clandestino conhecido como ‘Casa da Morte’. Veja também: O que é um atleta de alto rendimento e sua importância no Brasil.
Tortura e Violação de Direitos Humanos
Testemunhos indicam que Paulo foi submetido a intensas sessões de tortura, incluindo métodos brutais que visavam desumanizá-lo e silenciá-lo. As investigações da Comissão da Verdade revelaram que os corpos de vítimas na Casa da Morte eram desmembrados para evitar identificação.
Responsabilidade do Estado e a Busca por Justiça
Durante a cerimônia, a ministra dos Direitos Humanos, Janine Melo, fez um apelo à responsabilização do Estado pelas violações de direitos humanos. Ela enfatizou que o desaparecimento de Paulo de Tarso é um lembrete da brutalidade do regime militar e da necessidade de reconhecimento e reparação.
A Importância da Memória
Janine Melo ressaltou a importância de se confrontar o passado, afirmando que as cicatrizes deixadas pela ditadura ainda afetam a sociedade brasileira. A reitora da UnB, Rozana Naves, também comentou sobre a luta pela liberdade de pensamento e a defesa dos direitos acadêmicos como legado crucial para a democracia.
O evento não apenas prestou homenagem à memória de Paulo de Tarso, mas também reforçou a necessidade de um compromisso contínuo com a verdade e a justiça em relação às atrocidades cometidas durante a ditadura militar.

