De acordo com dados recentes do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio dos trabalhadores com deficiência foi de R$ 2.053, representando cerca de 70% do que os trabalhadores sem deficiência ganham, que é de R$ 2.890. Esses dados, divulgados em 18 de agosto de 2023, revelam um panorama preocupante sobre a desigualdade salarial entre esses grupos.
Desigualdade Salarial e Setores de Atuação
A pesquisa do IBGE destaca que, independentemente da área de atuação, os trabalhadores com deficiência tendem a receber menos. Eles estão predominantemente empregados em setores com remunerações mais baixas, como serviços domésticos, agropecuária e alimentação. Por outro lado, o setor público e áreas como educação, saúde e serviços sociais se destacam como os melhores pagadores, onde os trabalhadores com deficiência recebem, em média, R$ 3.223, ou seja, 78% do rendimento médio de seus colegas sem deficiência, que é de R$ 4.146.
Renda Familiar
Nos lares onde reside uma pessoa com deficiência, a renda proveniente do trabalho representa 55,7% do rendimento total familiar, enquanto em lares sem pessoas com deficiência essa proporção sobe para 78,4%. Isso indica uma dependência maior de outras fontes de renda em domicílios com moradores deficientes.
Nível de Ocupação e Desafios
O nível de ocupação entre as pessoas com deficiência é alarmantemente baixo, alcançando apenas 29%. Em contrapartida, o nível de ocupação entre trabalhadores sem deficiência é de 55,8%. Dos 13,71 milhões de indivíduos com deficiência em idade de trabalho, apenas 3,97 milhões estão empregados.
Dificuldades Específicas e Ocupação
Entre os trabalhadores com deficiência, as dificuldades mentais apresentaram o menor nível de ocupação, com apenas 12,9% empregados. Aqueles com dificuldades para caminhar ou pegar objetos pequenos também mostraram taxas de ocupação abaixo da média, enquanto os que têm dificuldades visuais (35,9%) e auditivas (27,5%) têm uma taxa de ocupação mais elevada.
Análise por Sexo e Raça
A análise do Censo 2022 também revelou diferenças significativas no nível de ocupação entre diferentes grupos raciais e de gênero. Homens e mulheres pretos ou pardos apresentaram taxas de ocupação superiores às de seus pares brancos, com 36% e 25,6%, respectivamente. Essa tendência se inverte entre trabalhadores sem deficiência, onde os brancos têm uma taxa de ocupação mais alta.
Esses dados ressaltam a necessidade urgente de políticas públicas que promovam a inclusão e a igualdade no mercado de trabalho, visando uma melhoria nas condições de vida de pessoas com deficiência.



