© Rovena Rosa/Agência Brasil

Seis anos se passaram desde que Jacklline de Oliveira, de 45 anos, e seu esposo, Luciano Gonçalves, de 49, celebraram o último aniversário de sua única filha, Kathlen Romeu. A memória da festa de 24 anos, realizada no terraço da avó, traz à tona a alegria e o carisma da jovem, que completaria 30 anos neste sábado (3).

A Luta de Jacklline e Luciano

Kathlen era uma mulher cheia de sonhos, aspirando a ser modelo e conquistar sua independência financeira. Desde os 15 anos, ela começou a customizar e vender roupas, e recentemente havia conseguido financiar seu primeiro apartamento, além de estar grávida de quatro meses. Tragicamente, sua vida e a de seu bebê foram ceifadas em um incidente violento quando ela visitava a avó.

O Dia do Crime

Caminhando em uma rua movimentada, Kathlen e sua avó foram surpreendidas por disparos de policiais militares. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou que os agentes atiraram em direção a elas, alegando que miravam em criminosos, uma afirmação sem comprovação.

A Busca por Justiça

Após o trágico evento, familiares e amigos se uniram para exigir justiça. No próximo dia 26 de novembro, os policiais envolvidos, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, enfrentarão o Tribunal do Júri. Embora tenham sido absolvidos inicialmente de acusação de fraude processual, a promotoria recorreu e eles foram condenados, mas ainda respondem em liberdade.

A Voz da Mãe

Jacklline expressa seu desejo de que a sociedade não se esqueça do caso. “Se esses policiais não forem punidos, a sociedade também estará matando Kathlen Romeu e seu bebê”, destaca, enquanto mantém viva a memória da filha em sua casa. A dor da perda é processada através de terapia, e Luciano está se formando em psicologia, buscando entender e ajudar outros em situações similares.

Impunidade e Desafios

Dados da Rede de Observatórios da Segurança revelam que uma pequena fração das mortes causadas por policiais resulta em denúncias e condenações. A família de Kathlen enfrentou dificuldades para que o caso fosse levado à Justiça, chegando a denunciar o promotor responsável pela investigação por sugerir que buscassem ‘justiça divina’.

Um Chamado à Ação

A mobilização da sociedade civil é crucial para que casos como o de Kathlen não sejam esquecidos. Jacklline apela: “Que aqueles que choraram comigo em 8 de junho de 2021 continuem a lutar por justiça no dia do julgamento”. O engajamento da comunidade é fundamental para pressionar por mudanças na política de segurança pública e garantir que vidas sejam protegidas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br