© Carlos Roberto Alves/MPF

A história da comunidade quilombola do Machadinho, em Paracatu (MG), é marcada pela luta por justiça e reparação. A avó Antônia, que dedicou sua vida à plantação de algodão, representa a força e a resistência de uma geração que viu suas terras serem tomadas pela instalação da mineradora Kinross Gold Corporation. Agora, suas descendentes, como a neta Claudinês Lopes, buscam reverter um legado de injustiça que perdura por mais de 20 anos.

A Luta por Justiça e Reconhecimento

Recentemente, o procurador regional da República, José Adércio Leite Sampaio, visitou Paracatu em busca de um acordo com a mineradora. O objetivo é reparar os danos socioambientais, territoriais e culturais sofridos pelas comunidades quilombolas do Machadinho, Amaros e São Domingos, totalizando cerca de 1,3 mil famílias afetadas. As negociações visam reconhecer oficialmente essas comunidades, garantir seus direitos territoriais e estabelecer critérios claros para indenizações e reassentamentos.

Desafios Legais e Expectativas

O advogado Guilherme Bicalho, que representa os interesses das comunidades, expressou sua preocupação com os recentes desdobramentos judiciais, onde dois votos contrários às indenizações foram registrados. Ele ressaltou que a suspensão do julgamento, por 60 dias, abre espaço para novas negociações. O valor das indenizações está estimado entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão, e as partes esperam chegar a um entendimento até novembro.

Impactos da Mineração nas Comunidades

O procurador Sampaio destacou que a busca por um acordo não implica na flexibilização dos direitos das comunidades. A proposta é assegurar uma indenização justa e a proteção dos moradores que vivem sob os impactos da mineração. Em 2025, a empresa reportou lucros significativos, com uma parte substancial proveniente da unidade em Paracatu. A mineradora opera com uma estrutura que armazena um volume de rejeitos muito superior ao da barragem que se rompeu em Brumadinho, levantando preocupações sobre a segurança e a saúde da população local.

Consequências Ambientais e Sociais

As operações da mineradora têm gerado impactos diretos na saúde dos moradores. O Ministério Público Federal (MPF) identificou altos níveis de arsênio em amostras de urina e material particulado no ar nas proximidades da mina. As comunidades do Machadinho e de Amaros, certificadas pela Fundação Cultural Palmares em 2004, enfrentam uma realidade de vulnerabilidade, com muitas famílias dispersas e sem acesso a suas terras ancestrais.

O Futuro das Comunidades Quilombolas

Claudinês Lopes, que vive a cerca de 10 quilômetros do antigo território, enfatiza que as famílias precisam de reparação, pois muitas continuam em situação de vulnerabilidade. A luta por justiça não é apenas uma questão de indenização, mas também de dignidade e reconhecimento das raízes culturais e históricas das comunidades quilombolas. As negociações em curso são um passo essencial para garantir um futuro mais justo e sustentável para essas populações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br