© Joédson Alves/Agência Brasil

A recente pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), vinculado à Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), revela que a redução ou estagnação de benefícios sociais e previdenciários pode provocar uma significativa retração econômica em municípios do interior do Brasil.

Importância dos Benefícios Sociais na Economia Local

Os resultados da pesquisa mostram que aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) são fundamentais para a economia dessas cidades, representando quase 50% da renda das famílias mais vulneráveis. Esses benefícios são utilizados majoritariamente para a compra de bens essenciais, o que impulsiona o comércio local, gera empregos e mantém a arrecadação municipal em atividade.

Desigualdade entre Regiões

Cerca de 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros estão localizados fora das regiões metropolitanas, onde as transferências públicas têm um impacto muito maior. No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários representam 40% da renda no interior, comparado a 22% na capital e na região metropolitana.

Projeções Econômicas e Potenciais Consequências

O estudo projeta que, entre 2022 e 2025, a manutenção do atual aumento dos benefícios é crucial para evitar uma queda significativa na renda agregada dessas regiões. Sem os reajustes, a renda no interior poderia cair entre 6,8% e 10,8% em comparação a cenários com valorização real dos benefícios.

Regiões Mais Afetadas

As regiões que enfrentariam os impactos mais severos incluem o interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com uma perda de renda de 17% a 18%. Outros estados como Amazonas, Sergipe e Pernambuco também enfrentariam reduções significativas.

Consequências Sociais e Aumento da Pobreza

Além dos efeitos econômicos, os benefícios sociais são cruciais para o combate à pobreza. A pesquisa indica que a falta de reajustes reais pode empurrar até 2,7 milhões de pessoas para a pobreza extrema, afetando principalmente aqueles que já vivem em condições vulneráveis.

Números Alarmantes

As maiores projeções de aumento na pobreza são alarmantes, com destaque para a Bahia, São Paulo e Minas Gerais, onde centenas de milhares de pessoas podem ser impactadas negativamente. A pesquisa enfatiza que o congelamento dos benefícios pode causar um estrago considerável nas economias locais.

Em suma, a continuidade da valorização real dos benefícios sociais é essencial não apenas para garantir a dignidade das famílias, mas também para a sobrevivência do comércio local em regiões menos favorecidas do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br