© Carol Bruzzone/ Divulgação

A pressão exercida sobre empregadas domésticas durante períodos eleitorais é uma realidade preocupante e frequentemente ignorada. Leandra Lacerda, uma trabalhadora com mais de 40 anos de experiência no setor, compartilha suas vivências e a luta por direitos em um ambiente frequentemente marcado por abusos.

Experiências de Assédio Eleitoral

Leandra, atualmente secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), relata que já enfrentou pressão direta de empregadores para votar em candidatos específicos. “Eu trabalhava numa residência, e a empregadora gritava comigo para votar em um candidato”, conta. Essa situação não é isolada; ela afirma ter sofrido assédio eleitoral em diversas ocasiões ao longo de sua carreira.

A Campanha "Não Passaremos Pano"

Recentemente, a Fenatrad lançou a campanha “Não Passaremos Pano”, em parceria com a ONG Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos. O objetivo é aumentar a conscientização sobre as diversas formas de violência que as trabalhadoras domésticas enfrentam, incluindo o assédio eleitoral. Leandra enfatiza a importância de não aceitar desrespeitos em um ambiente de trabalho já vulnerável e invisível.

Identificando o Assédio Eleitoral

Conforme explica Igor Sousa Gonçalves, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), o assédio eleitoral se caracteriza pela coação do empregador sobre a empregada, visando influenciar suas escolhas políticas. Isso pode incluir a solicitação do título de eleitor ou ameaças de demissão. O MPT orienta que as trabalhadoras guardem evidências, como mensagens e áudios, e garante que as denúncias podem ser feitas de forma sigilosa.

A Luta pela Liberdade Política

A diretora da Themis, Jéssica Miranda, destaca que a verdadeira democracia não pode existir enquanto as trabalhadoras se sentem forçadas a escolher entre sua liberdade política e a segurança no emprego. O assédio eleitoral é particularmente grave no contexto do trabalho doméstico, onde a fiscalização é limitada e as relações são marcadas por desigualdades.

Histórias de Pressão

Maria das Graças dos Santos, uma empregada doméstica de 64 anos, compartilha que, ao longo de sua vida, também enfrentou pressões para votar em candidatos associados às famílias para as quais trabalhou. Hoje, ela se dedica a alertar jovens trabalhadoras sobre a importância do voto livre, ressaltando que muitas ainda se sentem intimidadas pela possibilidade de perder o emprego.

A luta contra o assédio eleitoral nas relações de trabalho é uma questão crucial para a promoção de um ambiente democrático e respeitoso. É fundamental que as trabalhadoras sintam-se apoiadas em suas reivindicações e saibam que têm o direito de votar de forma livre e sem coerção.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br