A Polícia do Rio de Janeiro realizou, nesta terça-feira (18), a prisão de Cosme Rogério Ferreira Dias, identificado como o principal articulador financeiro e “mentor das barricadas” da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A operação, que também resultou na prisão de outras 16 pessoas, tem como objetivo desmantelar a estrutura financeira da organização.
As prisões são parte da Operação Contenção, que visa impedir a expansão territorial da principal facção criminosa do estado. De acordo com investigações da Polícia Civil, Cosme Rogério era responsável por financiar e fornecer os materiais utilizados na construção de barricadas, que impedem a livre circulação em áreas dominadas pela facção, dificultando ações policiais e restringindo o acesso de moradores a serviços essenciais.
Cosme Rogério, que se apresentava como empresário do ramo da reciclagem, é apontado pela polícia como o líder do braço financeiro da organização criminosa. Ele era responsável por lavar o dinheiro obtido através da receptação de cobre, além de fornecer materiais para a construção e reforço das barricadas. A polícia o descreve como o elo entre ferros-velhos e o tráfico, promovendo a integração logística e financeira da facção. Durante a operação, uma grande quantidade de dinheiro foi apreendida na residência do suspeito.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 217 milhões em bens e valores, incluindo moeda estrangeira, imóveis de luxo e veículos de alto padrão. Oito ferros-velhos foram interditados, pois funcionavam como centros de lavagem de dinheiro e apoio operacional da facção em comunidades da capital e região metropolitana, além de custear a segurança armada dos territórios.
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, classificou a ação como um “golpe direto na espinha estrutural e econômica do Comando Vermelho”. As buscas e apreensões se estenderam a outros estados, como São Paulo e Minas Gerais.
A operação ocorreu um dia após o governo do Rio de Janeiro anunciar a Operação Barricada Zero, que visa remover mais de 13 mil pontos de bloqueio em diversas cidades do estado, desde lixeiras e entulhos até estruturas de engenharia mais complexas. A ação conta com a parceria das prefeituras, e o governo estadual informou que as áreas onde as barricadas forem recolocadas serão alvos de novas operações policiais.
A Operação Contenção contra o Comando Vermelho ganhou destaque em 28 de outubro, quando uma incursão nos complexos de favelas da Penha e do Alemão resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais militares. O governo do Rio considerou a operação um sucesso e um “divisor de águas” no combate à criminalidade, enquanto o presidente Lula a classificou como “desastrosa”. Ativistas de direitos humanos criticaram o alto número de mortos e denunciaram execuções. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que já acompanha denúncias relacionadas a ações policiais em favelas do Rio de Janeiro e solicitou esclarecimentos ao governo estadual.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
