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Em um desfecho alarmante de anos de sofrimento, uma mulher de 61 anos, residente em São Vicente, litoral paulista, finalmente viu seu agressor ser detido após uma década de violência doméstica incessante. O marido, de 60 anos, com quem convivia há 42 anos, foi preso em flagrante depois de espancar não apenas a esposa, mas também a filha de 28 anos, que tentou intervir nas agressões. O caso, que revelou um histórico de violência física, patrimonial e moral, agora mobiliza as autoridades em uma investigação aprofundada.

A Escalada da Violência e as Agressões Recentes

A rotina de abusos atingiu um novo ápice após o homem retornar para casa, dias depois de se ausentar para usar drogas e álcool. Conforme o relato da vítima, ele exigiu mais dinheiro para adquirir entorpecentes. A situação degringolou quando o agressor percebeu que a esposa e a filha haviam escondido sua arma, que ele já havia utilizado anteriormente para ameaçá-las, chegando a disparar contra as paredes da residência. A ausência do objeto resultou em uma explosão de fúria, culminando em socos, tapas e renovadas ameaças contra as duas mulheres.

O Terror na Voz da Vítima

A mulher descreveu à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, a brutalidade dos últimos ataques: "Ontem ele me agrediu com soco no queixo e hoje foi tapa na cara." O desespero da mãe se intensificou quando a filha, na tentativa de protegê-la, também foi agredida. "Eu tirei ele de cima dela e ele ameaçou abrir o botijão de gás para tacar fogo na casa", contou. As ameaças se estenderam à integridade da família: "Ele vai me matar. E se aparecer algum irmão, alguma coisa minha, ele mata também", revelou a vítima, expondo o profundo temor que vive.

Prisão, Armamento Ilegal e Investigação Aprofundada

A prisão em flagrante do agressor ocorreu nesta segunda-feira (9). Durante a ação, as autoridades apreenderam a arma do homem, que tinha a numeração raspada e para a qual ele não possuía porte legal. O caso foi imediatamente registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, inicialmente como violência doméstica e porte ilegal de arma de fogo. O delegado Lucas Santana, responsável pelo inquérito, explicou que, embora o incidente específico não tenha sido inicialmente caracterizado como tentativa de homicídio, a investigação será ampliada. Com base nos relatos da vítima sobre o uso anterior da arma e os disparos dentro de casa, o homem também será investigado por tentativa de feminicídio, dadas as ameaças de morte e o histórico de agressões graves.

O Clamor por Segurança e Justiça

Apesar da prisão, o medo persiste na voz da mulher. Ela expressou profundo receio de que o agressor seja solto e retorne para cumprir suas ameaças, que se estendem não apenas a ela e à filha, mas também a seus irmãos. "Eu tenho muito medo, porque se ele não me achar, ele pode achar minha filha, alguém da minha família que ele sabe onde mora, entendeu?", desabafou, classificando o marido como "uma pessoa de coração ruim". O apelo por proteção é urgente: "E minha filha? E meus irmãos que ele jura matar? Como fica a minha vida agora? Eu espero que a Justiça seja feita", concluiu, reforçando a angústia de quem vive sob constante ameaça.

Canais de Ajuda e Prevenção à Violência Doméstica

Para mulheres em situação de violência, existem canais de suporte essenciais. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço gratuito e confidencial, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. Através dele, as vítimas podem obter orientação sobre seus direitos e as leis vigentes, informações sobre a rede de atendimento especializada – como Casas da Mulher Brasileira, Centros de Referência e Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam) –, e realizar denúncias que são encaminhadas diretamente aos órgãos competentes. O serviço também acolhe reclamações e elogios, visando aprimorar o atendimento às mulheres.

Este caso em São Vicente é um triste, mas revelador, retrato da persistência da violência doméstica no Brasil, onde o lar deveria ser um porto seguro, mas muitas vezes se transforma em palco de terror. A coragem da vítima em finalmente denunciar e a ação das autoridades são passos cruciais, mas a luta contra a violência exige vigilância contínua e a garantia de que a justiça seja não apenas feita, mas que também ofereça a segurança necessária para que mulheres e suas famílias possam reconstruir suas vidas livres do medo. É um lembrete contundente da urgência de fortalecer os mecanismos de proteção e apoio às vítimas.

Fonte: https://g1.globo.com

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