© Rovena Rosa/Agência Brasil
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A capital paulista será palco de um evento cultural de grande relevância neste sábado, unindo a ancestralidade da música Guarani Mbya com a sonoridade clássica da Orquestra Almai. Esta colaboração singular, que já gerou um álbum, culmina em uma apresentação ao vivo que promete transcender fronteiras musicais e culturais, celebrando a riqueza da herança indígena brasileira em um espaço de destaque na cidade.

Celebração Musical na Biblioteca Mário de Andrade

O público terá a oportunidade de presenciar essa fusão inédita no dia 14 de maio, às 17h, em um concerto com entrada gratuita. A Biblioteca Mário de Andrade, um ícone cultural no centro de São Paulo, será o cenário para o encontro entre o coral indígena Amba Wera, composto por integrantes do povo Guarani Mbya, e os músicos da Orquestra Almai. A iniciativa visa não apenas apresentar um repertório musical, mas também fortalecer a voz e a presença dos povos originários na cena cultural contemporânea.

“Yy Jojou: Encontro das Águas” – A Gênese de um Álbum Sinfônico

Intitulado “Yy Jojou”, que significa "encontro das águas" na língua guarani, o projeto se materializou em um álbum sinfônico lançado recentemente. Este disco é o resultado de um meticuloso processo iniciado no pós-pandemia, quando a Orquestra Almai se dedicou a registrar os cânticos do coral Amba Wera diretamente na aldeia Tekoa Pyau, situada no território indígena do Jaraguá. Essa imersão permitiu uma conexão autêntica e respeitosa com a cultura e as expressões musicais da comunidade.

O álbum reúne oito composições cuidadosamente selecionadas, das quase vinte existentes, que são parte integrante do cotidiano e da cosmovisão dos membros do coral indígena. As melodias e letras refletem a espiritualidade, a história e as lutas do povo Guarani Mbya, transformando-as em uma experiência sonora profunda e envolvente para os ouvintes.

A Voz Indígena como Protagonismo Cultural

Para Maurício Biguai Poty, líder da comunidade e integrante do coral, o projeto representa a concretização de um sonho e uma plataforma vital para a visibilidade de sua cultura. Ele expressa a profunda alegria em ver a "música sagrada" de seu povo ser compartilhada, destacando a importância de dar voz às suas lutas e tradições através da arte. Sua perspectiva sublinha o valor de iniciativas que colocam os povos originários no centro da narrativa cultural.

A Orquestra Almai, por sua vez, enfrentou o desafio de ir além das convenções da partitura. O processo exigiu um exercício de escuta ativa e profunda, que não apenas integrou os indígenas como intérpretes, mas os estabeleceu como o cerne da criação e da performance musical. Essa abordagem colaborativa redefine o papel da orquestra em relação à música indígena, promovendo uma troca genuína de saberes.

Reinvenção da Música Erudita Brasileira com Respeito e Colaboração

Anselmo Mancini, compositor e um dos diretores do projeto, ressalta que “Yy Jojou” se distingue significativamente do histórico da música erudita brasileira. Tradicionalmente, compositores como Villa-Lobos, Nepomuceno ou Guarnieri se inspiraram na música indígena, mas muitas vezes a absorveram e a recontextualizaram sem o envolvimento direto ou o protagonismo dos povos originários. Este álbum, ao contrário, eleva os indígenas ao status de protagonistas, buscando uma verdadeira fusão entre a música clássica tradicional e o que Mancini descreve como a “música clássica Guarani”.

Essa abordagem inovadora não apenas enriquece o cenário musical, mas também promove uma reflexão sobre apropriação cultural versus colaboração respeitosa. O projeto é um marco na busca por uma música erudita brasileira que honre e integre de forma equitativa as diversas expressões culturais do país.

Impacto e Acessibilidade

O álbum “Yy Jojou: Encontro das Águas” já está acessível ao público em diversas plataformas de streaming, permitindo que a mensagem e a arte do povo Guarani Mbya e da Orquestra Almai alcancem um público global. A apresentação deste sábado na Biblioteca Mário de Andrade não é apenas um concerto, mas um evento que celebra a diversidade cultural, a resiliência e a beleza da colaboração artística, reforçando a importância da música como ponte entre diferentes mundos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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