O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quarta-feira que a Polícia Federal (PF) iniciará uma investigação sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. A medida visa desmantelar esquemas de lavagem de dinheiro e apurar a infiltração de criminosos em cargos públicos.
O anúncio foi feito durante uma reunião com representantes de entidades de direitos humanos, convocada para discutir os impactos da Operação Contenção, que resultou em mais de 120 mortes na capital fluminense.
Além de investigar o crime organizado, o STF acompanhará as apurações sobre as mortes ocorridas durante a operação policial, que envolveu as polícias civil e militar. Moraes expressou preocupação com a falta de autonomia da polícia técnico-científica do Rio de Janeiro, argumentando que sua subordinação à Polícia Civil pode prejudicar a imparcialidade da investigação. Segundo o ministro, essa dependência hierárquica pode comprometer a objetividade na coleta e análise de evidências.
Moraes está respondendo temporariamente pela relatoria da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, um processo que trata da atuação das forças de segurança em comunidades vulneráveis. Ele assumiu a função devido à aposentadoria do relator original, o ex-ministro Luís Roberto Barroso, em outubro.
A designação de Moraes para tomar decisões urgentes relacionadas ao processo demonstra a importância dada pelo STF à questão da segurança pública nas favelas e à necessidade de garantir o respeito aos direitos fundamentais nessas áreas. O inquérito da PF, juntamente com o acompanhamento das investigações sobre as mortes, sinaliza um esforço para combater o crime organizado e promover a responsabilização por eventuais abusos cometidos pelas forças de segurança.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
